Na grande área (Armando Nogueira)
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Armando Nogueira ... Assim, combinados 
Mais um combinado à vista: Brasil x Equador, na cidade de Washington. Muito esquisito: o jogo, o adversário, o palco. A rigor, a própria seleção, que repete jogadores de pálida presença no amistoso com a Iugoslávia. Principalmente, o zagueiro Antônio Carlos e o volante Marcos Assunção. Antônio Carlos não joga, atropela. Marcos Assunção passou pelo jogo invisível como um fantasma. Mil vezes, o santista Narciso que tem a versatilidade e o vigor de Vampeta.
Primeiro, o jogo seria em Nova York, onde há um expressivo contingente de imigrantes que preferem o nosso futebol ao futebol americano. Agora, mudou pra Washington. Caprichos do patrocinador. Afinal, a Nike, renomada fabricante de chuteiras, deve saber onde lhe apertam os calos.
A lista de convocados indica uma preferência da comissão técnica pelos dois goleiros anteriormente chamados. A voz de peso, no caso, é de Waldir de Morais, que tem olho clínico pra julgar goleiro. Os dois são qualificados. Como tantos que ainda não foram testados. Exemplos: Clemer, do Flamengo, Nei, do Corinthians, Wagner, do Botafogo. Sem falar de Carlos Germano e Dida que também dão conta do recado, corretamente.
A boa verdade é que, de goleiros, o Brasil passou a ser bem servido desde a introdução de treinamento específico. Uma idéia, se não me engano, trazida da Tchecoslováquia, por João Saldanha, e Russo, quando o Brasil principiava a preparação pras eliminatórias de 70. Quem começou, mesmo, a cruzada de afirmação da categoria foi Gilmar dos Santos Neves. Gilmar, campeão mundial em 58, deu respeitabilidade ao ofício de jogar no gol. O frango, que sempre fora o grande estigma do goleiro brasileiro, era por ele tratado com naturalidade. Falhei, sim, e daí? E se alguém lá da frente ousasse recriminá-lo, fosse quem fosse, ele respondia com altivo silêncio.
Um fidalgo, o Gilmar.
Botafogo e Flamengo


