NA GRANDE ÁREA
A PREMONIÇÃO DO POETA
O poeta Paulo Mendes Campos, botafoguense de todos os versos, escreveu, um dia que, se Orson Wells gostasse de futebol, certamente, seria torcedor do Botafogo. Achava o poeta que o perfil artístico do notável diretor de cinema se encaixava, sob medida, no figurino psicológico dos alvinegros: gente irrequieta, inconformada, sempre querendo sacudir o coreto do futebol. Como diria o também botafoguense Armando Strozemberg, o Botafogo é a versão brasileira do histórico chienlit de Nanterre, em Paris-68: la minorité agissante...
Transcrevo trecho do livro chamado Entre o Céu e o Inferno, uma jóia que o mestre Sérgio Augusto (haverá alvinegro mais fervoroso que Sérgio?) acaba de escrever sobre o Botafogo e que vem dar consistência à especulação de Paulinho:
O advogado e jornalista Nelson Paes Leme, botafoguense hereditário, vai mais longe: segundo ele, o cineasta tornou-se de fato um simpatizante do alvinegro quando aqui veio rodar Its All True. A prova dessa conversão lhe foi fornecida por seu pai, Luiz Paes Leme, célebre, entre outras façanhas, por ter sido um dos fundadores da União Nacional de Estudantes.
Dissidência da velha Casa do Estudante do Brasil, a UNE, a exemplo do Botafogo, surgiu como um desafio juvenil ao establishment. Presidida pela socialite Ana Amélia Carneiro de Mendonça, mulher do legendário goleiro do Fluminense Marcos Carneiro de Mendonça, a Casa do Estudante do Brasil não só tinha raízes tricolores como, na visão da juventude menos acomodada da época, não movia uma palha contra a ditadura getulista. Para angariar fundos para a recém-criada UNE, a estudantada liderada por Luiz Paes Leme organizou uma Festa da Juventude (espécie de Congresso de Ibiúna do Estado Novo), na Quinta da Boa Vista. Foi um megaevento para a época, salienta Nelson, e Welles participou ativamente da festa. Meu pai e outros jovens ligados à família Aranha, todos botafoguenses e amigos de Carlito Rocha, submeteram o cineasta àquele tipo de lavagem cerebral que fazemos com sobrinhos e netos, antes que eles elejam outro time. Meteram na cabeça dele que o quente no futebol carioca era o nosso alvinegro e ele aderiu de imediato ao time da estrela solitária.
Resumo da ópera: Orson Welles não precisou ir a um campo de futebol no Rio para escolher o time de sua simpatia. Bastou-lhe a Quinta da Boa Vista.
Do resto da catequese deve ter-se ocupado Vinicius de Moraes, que acompanhou o cineasta a tudo quanto é canto da cidade e com ele tomaria aulas de direção, em Los Angeles, no final dos anos 40.
INVENTOR DA PARADINHA
O cineasta Anibal Massaini está fazendo um documentário sobre a vida e a obra de Pelé. São duas horas de exaltação do futebol. Há jogadas de Pelé que nunca imaginei ver. Preciosidades que o cineasta trouxe das tevês do mundo inteiro, notadamente, da Europa. Mas não é bem disso que quero falar.
Estou colaborando no texto final do filme. Volta e meia, surgem dúvidas que nos obrigam a sair pesquisando, em nome da fidelidade dos fatos. Por exemplo: Anibal tinha informação de que Pelé tinha sido o criador da paradinha do pênalti. A versão não batia com a minha. Pelo meu testemunho, quem primeiro pontuou a cobrança de um pênalti foi Didi.
Massaini levou a Pelé a nossa divergência. No encontro seguinte, a polêmica estava encerrada com a palavra do próprio Pelé: Quem inventou a paradinha foi mesmo o Didi. Eu apenas copiei.
Falou e disse.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
Pergunta de um leitor: Armando, você acha que o Zidane é o melhor jogador do mundo? Sinceramente, não tenho juízo formado sobre quem seja o número 1 do futebol mundial. Pra mim, pra alguém chegar a esse nível tem que ser excepcional em todos os fundamentos. De Zidane, uma coisa em posso dizer: ele é o jogador que tenho mais prazer de ver jogando. Na Europa, Zidane; por aqui, Alex.
Correspondências para Na Grande Área: Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 - Rio de Janeiro - RJ - E_MAIL: [email protected]





