NA GRANDE ÁREA
Uma grande impostura
A FIFA escolhe, por esses dias, o melhor jogador do mundo. E, de cara, eu pergunto: de que mundo? Desde quando a Europa representa o resto do mundo, em qualquer campo de atividade? No futebol, eu juro, o continente europeu pesa menos do que pensa.
Uma coisa ninguém pode negar aos cartolas da FIFA: eles são imbatíveis na arte da empulhação. Esse prêmio é exemplar em matéria de impostura. Jamais, alguém de outro continente foi contemplado com tal distinção. Jogador de outras paragens nem figura na lista de concorrentes. Só se elege quem estiver jogando em time da Europa. Os brasileiros já escolhidos jamais teriam sido lembrados, se estivessem em clubes sul-americanos.
A maioria do júri que aponta ''o melhor do mundo'' é formado por treinadores que ignoram, completamente, outros times além das fronteiras européias. Ninguém vê jogos dos nossos campeonatos. Brasil e Argentina não passam de fornecedores de jogador pra dar mais realce ao futebol deles. E, no entanto, têm o melhor futebol do mundo.
Se essa eleição fosse coisa séria, um jogador como Alex não poderia ser esquecido. Por acaso, alguém jogou em 2003 o futebol que jogou Alex? Vi, com frequência, os principais campeonatos da Europa. Sinceramente, não encontrei nada que me emocionasse tanto quanto as exibições de Alex.
Acho que a imprensa brasileira devia ser comedida ao noticiar as promoções da FIFA que só servem aos interesses da UEFA e dos clubes europeus. Afinal, o que seria do futebol europeu se não fossem os brasileiros, os argentinos, os uruguaios, os paraguaios e, de uns tempos pra cá, os africanos?
Basta de impostura. O melhor do mundo é a vovozinha!
A DEFESA DO BUSH
Uma leitora me pergunta, perplexa: por que será que os técnicos da seleção são tão vidrados em brasileiro que joga na Europa? Olha só, moça: tudo isso tem muito a ver com o que está dito acima: não é de hoje que técnico brasileiro se derrete pelo futebol europeu. Volta e meia, aparece um, querendo ser lembrado por clube da Europa. O Felipão não sossegou, enquanto não o chamaram. Agora mesmo, o Luxemburgo, consagrado no Cruzeiro por um trabalho de respeito, aproveitou a chuva de microfones que se abateu sobre ele e voltou a se oferecer a clubes europeus.
Nada mais explica a insistência com zagueiros tipo Roque Junior e Lúcio, por exemplo. Aliás, fiquei sabendo, em e-mail de meu amigo e leitor, comandante Othoniel Pessoa, que o Bush vai gastar 400 bilhões de dólares pra reforçar a defesa dos Estados Unidos. Aí temos uma ótima chance de faturar uns bons trocados. Se o problema de Bush é defesa, por que não vendemos pra ele o Lucio e o Roque Júnior?
COMO NOS VELHOS TEMPOS
O final do jogo São Paulo x River Plate, no Morumbi, quarta de noite, me lembrou os velhos tempos em que brasileiros e argentinos viviam se estranhando. É aquela coisa: entre vizinhos, todo cuidado é pouco. Ali, pela década de 40, rara era a partida que terminava em paz.
Vi batalhas homéricas no estádio do Vasco. Houve um jogo da Copa Roca entre as duas seleções que, pra variar, acabou em grossa pancadaria. Pelas tantas, a torcida brasileira invadiu o campo pra linchar os argentinos. Quando viram a coisa preta, os argentinos saíram voando pro vestiário. A multidão, pra não perder a viagem, desandou a espancar o time do Andaraí que tinha jogado a preliminar e estava sentadinho à beira do gramado.
Perguntarão vocês: por que diabos acabou sobrando pro time do Andarai? Coitado do Andaraí. A camisa dele era igualizinha à camisa da seleção argentina.
Uma coisa não se pode esconder: o maior culpado pelo sururu de quarta-feira foi o zagueiro Fabiano, do São Paulo. Ele se irritou com uma entrada mais ríspida e investiu contra o argentino, arrebentando, de vez, um cabo-de-guerra que já estava por um fio.
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