Palavra dada, palavra sagrada
Há quem estranhe que o Botafogo tenha preferido jogar com o Palmeiras, em Caio Martins e não no Maracanã, que é estádio pra jogo de gente grande. Como se tratava do Botafogo, sobreveio, logo, a suspeita de que, por trás da decisão, só podia haver uma dose cavalar de superstição. Como se os demais clubes brasileiros não se agarrassem às mesmas cismas e crendices atribuídas em caráter exclusivo ao torcedor alvinegro do Rio.
Bebeto de Freitas já explicou, mas não adiantou. Continuei a ver e a ouvir a turma da comunicação taxar de irracional a decisão do Botafogo. E, no entanto, o presidente Bebeto portou-se como um cidadão que honra seus compromissos. A história é a seguinte: O Botafogo começou o ano, no amargor do rebaixamento: não tinha estádio, não tinha time, não tinha crédito, não tinha dinheiro, nem de onde tirar.
Postula daqui, postula dali, Bebeto acabaria encontrando três empresas caídas do céu, dispostas a ajudar o Botafogo, sem pensar em recompensa de curto prazo. A primeira foi a Mills, que construiu as arquibancadas tubulares, aumentando de cinco mil lugares pra dez mil o estadinho de Caio Martins. Os outros dois seriam o Bob's e a Petrobras.
Em troca, o Botafogo daria aos três o direito de mostrar suas marcas comerciais em placas e outdoors, além de exibir na manga da camisa o logo do Bob's. O acordo valeria pros 48 jogos da Série B que, naquele momento, também seria disputada em pontos corridos. Como na Primavera. Pra variar, a CBF mudou o sistema e o número de partidas cai quase pra metade. Ainda assim, os parceiros, mesmo prejudicados, continuaram a bancar o Botafogo.
Chega a fase decisiva do campeonato, o Botafogo no bolo dos quatro finalistas, Bebeto fez o que qualquer cidadão decente tem obrigação de fazer: decidiu que o time do Botafogo jogaria as três partidas em Caio Martins, assegurando, assim, aos amigos da primeira hora, a exposição de suas marcas nas placas e na televisão, coisa a que não teriam direito, se o Botafogo fosse jogar no Maracanã ou noutro qualquer estádio.
Bebeto é um cartola diferente. Pra ele, palavra empenhada é palavra sagrada. Pra gente assim, o futebol brasileiro tem mais é que tirar o chapéu.
O problema de Guga
Guga não aguentou o tranco de dois torneios seguidos. Ganhou um, na Rússia, perdeu o segundo, na França. O problema de Guga continua a ser de condicionamento físico. A inconstância na troca de bola, mesmo na partida com o australiano Philippoussis, me pareceu típica de falta de perna pra correr, frear, saltar, alternar ritmos, etc.
Alguém dirá que esse mesmo Guga chegou a ser o primeiro do ranking, sem ter um preparador físico. É verdade, mas só Deus sabe com que sacrifício Guga construiu sua triunfal carreira. Raro era o jogo em que ele não tinha que ser atendido na quadra por um fisioterapeuta da ATP.
Estamos falando do frescor dos 20 anos. Hoje, Guga está com 27 anos. Há pouco tempo, entrou no bisturi por lesão típica de traumatismo causado por quadras que variam do saibro ao cimento mais inclemente. Um jogador de tipo franzino como Guga merece um treinamento físico programado e ministrado por um especialista. Convenhamos que a onisciência de Larri Passos talvez não chegue a tanto.
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