NA GRANDE ÁREA
AS ORQUESTRAS DO CRUZEIRO
Agora que estou estudando música (meu sonho é ser gaitista), permito-me aprofundar, um pouco mais, a velha comparação entre uma orquestra e um time de futebol. Direi, então, que o Cruzeiro é um conjunto musical, jogando num andamento 'Vivace'. A expressão italiana já diz tudo: Vivaz. O time é animado sem ser carnavalesco.
Durante a transmissão do jogo do Cruzeiro com o Flamengo, um torcedor perguntou à turma da Globo, o Luis Roberto e o Sérgio Noronha, qual seria o melhor: o Cruzeiro, de Alex ou o Cruzeiro, de Tostão? O Noronha foi cauteloso. Não quis ser taxativo. Preferiu lembrar que o Cruzeiro de Tostão era, também, de Dirceu Lopes, um portento, e de Wilson Piazza, um volante clássico, de academia.
Entendo o Noronha. O tempo, que a tudo rege na vida, compromete qualquer juízo de valor. O que importa dizer é que o Cruzeiro de Alex é tão harmonioso e elegante quanto era o de Tostão. Pra não sair da linguagem musical, o de Tostão tocava em andamento, digamos, 'Piano forte', quer dizer: suave e, subitamente, forte. Era fruto das dissimuladas tramas entre Tostão e Dirceu Lopes: ambos trocavam passes, ora, curtos e incisivos, ora, vertiginosos e profundos. Coisas próprias de solistas geniais.
O Cruzeiro de hoje prefere a cadência chamada 'Prestíssimo'. Muito Rápido. Tão rápido quanto possível.
Noutro ponto, os dois se parecem: é na sobriedade. O time de Alex, como o de Tostão, joga em silêncio. Ninguém fala, ninguém gesticula, nem faz espuma. Alex e Tostão são almas gêmeas de uma mesma camisa azul, meio caminho entre a terra e o céu.
A diferença, ou melhor, a distância entre os dois Cruzeiros, é, mais uma vez, uma questão da incumbência do tempo: o de Tostão já entrou na história. O de Alex ainda está tentando entrar.
DRACENA, FLOR DO MAL...
O zagueiro Edu Dracena, do Cruzeiro, escapou do árbitro Paulo César, mas, dificilmente, escapará do STJD. O presidente Luiz Zveiter já está com o teipe, mostrando a cotovelada que tirou do jogo o atacante Alex Alves, do Atlético Mineiro. Aquele foi um gesto de rara brutalidade. Dracena já salta de braço armado, escancarando a intenção de atingir o adversário. O flagrante por si só, já é uma sentença.
O futebol é um jogo de choque físico no qual o jogador expõe seu corpo a todo risco. Uma coisa, porém, é a disputa leal, outra, absolutamente condenável, é a entrada dolosa. Considero Edu Dracena um dos melhores zagueiros do campeonato, com técnica e senso de antecipação superiores aos quatro convocados de Parreira. Mas, seu gesto, domingo passado, é imperdoável. O STJD saberá castigá-lo espero.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- O técnico Levir Culpi diz que está felicíssimo com a escalação do atacante Dill, cuja nulidade está levando à exasperação a torcida botafoguense. O nome Dill tem a mesma sonoridade de um anticoncepcional feminino chamado Diu. Tudo a ver: Dill, preservativo anti-gol.
- E, por falar em saudade, por onde anda Jairzinho? Jairzinho, meus amigos, está de treinador da seleção do Gabão. Futebol, por lá, que eu saiba, nada se sabe. Então, se o nosso campeão pegar uma ponta-direita, ninguém se espanta. Deve dar pra enganar.
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