O momento do Cruzeiro
Dia de muitos jogos na televisão, eu fico, o tempo todo, pulando, de galho em galho. Se a coisa estiver igualmente chata, troco de canal, outra vez. Três minutos, cinco minutos: se começar a me dar sono, aperto, de novo, o botãozinho mágico. Como estou sempre sozinho, minha poltrona e eu não há contestações. As decisões são sempre tomadas por unanimidade...
Só não tem pula-pula quando é o Cruzeiro que está jogando. Aí, eu chego a esquecer que existe controle-remoto. Ainda quarta-feira passada, foi assim. Botei lá e de lá não saí, a não ser, no intervalo pra dar uma olhada nos melhores momentos dos outros jogos.
Sei que os desafetos do Cruzeiro vão dizer que o adversário era o Flamengo e que o Flamengo, como está, não passa de uma reles galinha morta. Pois o melhor da história é que, dessa vez, não foi bem assim. O Flamengo encharcou-se de brio do começo ao fim do jogo. Não aceitou, passivamente, a maior envergadura do Cruzeiro. Foi à luta, revivendo a chama guerreira da brava gente rubro-negra.
Acontece, amigos, que o time do Cruzeiro anda irresistível, imperioso. Imperial. O que não lhe assegura um título de invencibilidade. Afinal, o campeonato só termina quando acaba.

O feitiço e o feiticeiro
Nos últimos fins de semana, vi meia dúzia de gols, todos em chutes de efeito, ou encobrindo ou contornando a barreira. Então, eu pergunto: não estaria na hora de repensar esse recurso? Antes de mais nada, é importante lembrar que a figura da barreira não existe nas regras do futebol. O que diz a lei? Diz que o time punido tem que ficar afastado da bola, no mínimo, nove metros e 15 centímetros.
Com o tempo, nasceria a barreira, hoje, tratada pelos técnicos como arma de defesa. Time que se preza tem que ter uma barreira de madeira, nela recortadas cinco ou seis figuras representando os jogadores.
Muito bem: o que era pura ficção converteu-se em realidade. A arbitragem, reverente à lei do costume, aceitou e até avalizou a burla. Tanto que, a todo instante, lá está o homem medindo, em passadas, a distância da barreira. No Brasil, já chegamos ao requinte de demarcar, com um tubo de ''spray'', o lugar preciso da barreira.
Não resta a menor dúvida de que foi a partir desse expediente que a coisa começou a ficar preta pro goleiro. Pelo menos, no futebol brasileiro. Antes, a arbitragem deixava a barreira andar pra frente, desmoralizando acintosamente, o espaço entre a bola e a barreira. Daí, a iniciativa de adotar o ''spray'' pra moralizar a questão da barreira.
Como bem diz o velho provérbio: há males que vem pra bem. Hoje, quem fizer um sério balanço vai concluir que os cobradores aperfeiçoaram de tal modo a execução do chute que o feitiço começa a se voltar contra o feiticeiro.
De duas, uma: ou se acaba com a barreira ou se acaba com o ''spray''.

Paulicéia bem-aventurada
A mídia paulistana não podia ter sido mais generosa com este marquês de Xapuri. A noite de autógrafos do meu livro ''A Ginga e o Jogo'', na FNAC, segunda-feira, me ''buleversou'', literalmente. Fui entrevistado, ao vivo, pelos seguintes canais: ESPN, Cultura, Bandeirantes. Patrícia Maldonado, bela moça, me entrevistou pro SportvNews e Paulo Henrique Amorim abriu um link pra bater um papo comigo, no telejornal que ele apresenta, na Record.
Sem falar que, antes, a Rádio Bandeirantes, a CBN, a Rede TV e o Sportv já tinham enchido a minha bola, gratamente.
Pelo menos, pra mim, Paulicéia desvairada, uma ova. Paulicéia bem-aventurada!

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