NA GRANDE ÁREA
Riva e Júnior: dedos cruzados
O Corinthians cai nas mãos de dois craques: Rivellino vai ser supervisor, Júnior, treinador. Ambos conhecem, como poucos, todos os segredos do futebol. Dentro e fora do campo. São anos e anos de concentração, de vestiário, convivendo com técnicos, com cartolas, cercados, ora de honradez, ora, de sordidez.
Por coincidência, a carreira de ambos está ligada a dois clubes de multidão. Hoje, o futebol, seja pro jogador, seja pro técnico, é uma fonte de tormentos. Ter de suportar a desrespeitosa cobrança de torcedores é barra pesada. Eles não ignoram que, da noite pro dia, o caminho entre o vestiário e a boca do túnel pode estar forrado com cascas de banana. Estarão vacinados contra a falta de educação das torcidas organizadas?
Um e outro são criaturas do bem. Trabalhei com eles em televisão. São ambos de muito bom trato, mas muito parecidos num ponto: o tamanho do pavio. Nenhum dos dois é de levar desaforo pra casa. Até porque, mesmo sem ser milionários, não precisam do futebol pra tocar sua vida.
Tenho uma antiga e bem fundada admiração por Júnior e por Rivellino. Torço por eles, mas que estou cruzando os dedos, estou mesmo.
A garatuja de Pelé
Semana passada, Pelé fez uma pequena cirurgia na mão direita. Extraiu um cisto sebáceo. Nada mais sério. Mas, foi esse fato que me convenceu de que Pelé não é canhoto coisa nenhuma, como revela o livro ''Os canhotos mais famosos da humanidade''. Pelé me mandou um bilhete, há dias e, na despedida, me pede desculpas pela assinatura feita com a mão esquerda. Realmente, é uma tremenda garatuja.
Oportunamente, voltarei a falar do livro que, a despeito do erro sobre Pelé, traz teorias interessantes sobre a tribo dos canhotos, assunto que sempre me fascinou no mundo do esporte.
Ronaldinho, esquece amigo!
O Ronaldinho andou querendo saber quantos gols marcou Pelé na seleção. Desconfia que a conta de Pelé está aumentada com gols feitos em jogos inexpressivos. A intenção de Ronaldinho é tornar mais fácil o sonho de se consagrar como o maior goleador da seleção brasileira.
Eu, se fosse o Ronaldinho, não mexia nisso. Aliás, estou sabendo, de boa fonte, que ele já recebeu um toque lá de cima: esquece, rapaz, que a CBF não vai fazer recontagem coisa nenhuma.
Ronaldinho está fazendo 27 anos. É ainda um guri que não sabe da missa a metade. Eu, que há meio século deixei de ter 27 anos, eu que pensava que tinha visto tudo, juro a vocês que tudo que vi é quase nada, comparado com o que tenho visto ultimamente. É o seguinte: estou ajudando no texto de um documentário sobre a obra de Pelé. É coisa de arrepiar. Tem cenas de ilusionismo puro. São gols jamais vistos no Brasil, verdadeiros tesouros que o diretor Anibal Massaini recolheu em arquivos ingleses, italianos, alemães. O filme entra nos cinemas do mundo inteiro em dezembro que vem. Ronaldinho vai ver que a saga de gols de Pelé não é só uma questão de aritmética. Bota invenção nisso. Bota arte nisso.
Se eu pudesse dar um conselho a Ronaldinho, eu diria: amigo, depois desse filme, vai ser mais fácil você provar que Pelé simplesmente não existiu. Eu, pelo menos, que vi Pelé, em carne e osso, a fazer maravilhas em campo, juro a vocês que estou começando a admitir que Pelé nunca existiu...
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