NA GRANDE ÁREA
O Real e a seleção
Quem gosta do bom futebol, com certeza, está de olho no Real Madrid; de olho e torcendo a favor. Contra, naturalmente, só a turma da prancheta. Aquilo ali é um monumento: Ronaldo, Raul, Figo, Zidane e Beckham. Cinco craques juntos, na mesma ciranda cirandinha.
Perguntei a Zagallo se ele acha uma boa um time entrar com cinco atacantes. Ele acha que sim, mas fez ressalvas. Perguntei, depois, por que a seleção brasileira não dá uma de Real Madrid e encara alguns jogos aí pela frente, bem armada com um ''Royal Straight Flush''. Teríamos então, como no pôquer, cinco cartas do mesmo naipe em sequência máxima: Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Alex e Kaká.
De volta a Zagallo, com suas ressalvas: 1) o time que entra, assim, cheio de craques na frente, não pode marcar a saída de bola no campo adversário; 2) deve recolher-se a seu próprio campo, pra reduzir o espaço, facilitar o cerco e retomar a bola; 3) uma vez próximos entre si, sendo todos eles craques, de verdade, a troca rápida de passes e o contra-ataque podem ser mortais.
Zagallo conclui sua análise, lembrando a seleção de 70, que jogava com um ''royal'' de ouro: Pelé, Tostão, Gérson, Rivelino e Jairzinho. Sem contar Carlos Alberto, outro craque que vinha lá de trás e avançava, subitamente, como ponta de verdade; e sem contar, ainda, Clodoaldo, que era o próprio Zito, redivivo, de técnica e de coração.
Que não falte nesta crônica a última e, certamente, mais importante, observação de Zagallo: é preciso, acima de tudo, que os jogadores tenham ambição, que estejam todos afim de lutar, incansavelmente, pela vitória, como fazia aquela admirável equipe que o cineasta Pier Pasolini definiu, em texto antológico, como um portento de ''poesia, suor e beleza.''
Quer dizer: se dependesse de Zagallo e só dele talvez pudéssemos ver, na mesma seleção, Ronaldinho, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Alex. Pelo menos, é o que ele deixa claro, relembrando a epopéia de 70.
Goleada no Caixa D'Água
Não sou de me gabar principalmente em público de vitórias pessoais. Dou-lhes, por feitio, um lugar mais que modesto no meu coração. Mas, acabo de ser brindado com um triunfo que merece ser contado aos meus leitores: e não é que enfiamos um solene 3 a 0 nesse ilustre varão chamado Caixa D'Água? Falo na primeira pessoa do plural porque foi o time de advogados de Sérgio Bermudez que cuidou da minha defesa na 13 Câmara Cível, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, composta de três desembargadores.
Caixa D'Água move contra mim dois processos, imaginem vocês com que fundamento: ambos, por danos morais! Uma das ações chegou à segunda instância e foi de lá que saiu a sentença, dada por unanimidade.
É claro que pode haver recurso. Como é claro que não escaparei tão facilmente à sanha dessa figura apocalíptica, pois, na mesma Justiça do Rio corre outra ação do citado Caixa D'Água. Essa é uma da táticas que alguns cartolas usam pra intimidar jornalista. Mas, como Deus é grande e a Justiça, também, lá estaremos pro que der e vier.
Não me vejo como um Quixote do futebol. Sou apenas um jornalista que, tal qual tantos outros, não deve dar trégua às fontes de malignidade que infernizam o futebol brasileiro.
Em tempo: estou sabendo que Eurico Miranda também decidiu me processar na Justiça. Quanta honra pra um pobre marquês de Xapuri.
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