NA GRANDE ÁREA
Retardatários, acordai!
O nível do campeonato está baixando tanto, a cada rodada, que, a qualquer momento, já dá pra alertar os retardatários: acordai! acordai!, que ainda há tempo pra voltar a sonhar. O Flamengo, com um time sofrível, já figura entre os 10 primeiros. O Goiás renasceu das próprias cinzas e há 14 partidas já não sabe mais quanto dói a dor de uma derrota. O Inter está despencando, o Grêmio agoniza, o Vasco pensa que vai, mas não vai. Além da pindaíba financeira, entramos também na pindaíba técnica.
Os euro(peus) já fizeram uma limpeza geral. Levaram até a baiana da Mariana. Quando parecia que a devastação tinha terminado em Kaká, lá se foram também Liedson e Kléber, ambos ótimos jogadores do Corinthians. E se não tivesse vencido o prazo de inscrições por lá, o futebol da Europa ainda estaria fazendo estragos na horta brasileira.
Que sina espantosa a deste País! Como a mesma facilidade, o tal do primeiro mundo avança, ávido, sobre pés e cérebros ilustres que brotam de um nada tão brasileiro, tão nosso. A evasão de cientistas brasileiros é assustadora. Não é de hoje que perdemos inteligências privilegiadas.
Somos uma terra espoliada da cabeça aos pés. O Brasil está virando um imenso deserto de idéias. Chego a temer por um desfecho bíblico. Do jeito que vai, não restará pedra sobre pedra.
A hora de parar
Ronaldo retifica a notícia de que ele pretende deixar a seleção, depois da Copa de 2006. Diz que entenderam mal. O que ele disse foi que vai jogar o Mundial da Alemannha como se fosse o último da sua vida. Quer dizer: com o coração em brasa. E disse mais: que, em 2012, estará fazendo 33 anos. Não será mais um garoto, mas acredita que ainda terá pernas e fôlego pra encarar mais uma Copa.
''Eu saberei a hora de parar'' - conclui Ronaldo, tranquilizando a sua planetária tribo. Aliás, é isso que todo mundo espera de um ídolo. Felizes os que percebem o momento de deixar a cena. Pelé soube fazer sua hora. Beckenbauer, Platini, Paula e Hortência também apagaram a luz da sala na hora certa.
Michael Jordan, infelizmente, não soube aceitar a realidade. Despediu-se, mas, acabou voltando. Podia ter saído, triunfalmente, pela porta da frente. Aos afagos de uma boa saudade, Jordan preferiu sair, arrastando a crista baixa da indiferença geral.
Romário está indo pelo mesmo caminho (descaminho?). Será que ele não entendeu que seu corpo já está pedindo trégua, faz tempo?; e que a própria bola, sua velha e amada parceira, já deixou de contemplá-lo com aquele doce olhar próprio dos que amam? Alguém precisa contar a Romário o que ninguém contou a Bebeto: que a bola e a mulher são iguaizinhas; quando não estão mais a fim, elas pedem um tempo. É um jeito delicado de dizer: Pra mim, chega!
Toma tenência, rapaz, que tua história é bonita demais pra terminar, assim, de forma tão melancólica.
O conto do cartão
Cartolas do meu País! Está mais que na hora de começar a por o dedo numa ferida do futebol profissional. Há jogadores aplicando um expediente cínico pra ser suspenso, ganhar folga, não ter que viajar pra outro estado e poder curtir um bom programa festivo com os amigos. Tem gente forçando cartão amarelo. A crônica esportiva já começou a dar nomes aos bois. Por exemplo, no futebol carioca tem nego aprontando. É um Edmundo, aqui, um Felipe, ali, um Edílson, acolá.
E não me digam que a questão é subjetiva. Não é. Dá pra perceber, claramente, quando o jogador faz uma reclamação gratuita ou agarra, tolamente, o rival pela camisa, em jogada de risco zero.
É delicado punir o jogador com multa? Então, o clube que faça o seguinte: obrigue o infrator maroto a viajar com a equipe, privando-se, assim, da festa pra qual tinha armado o golpe.
É o conto do cartão amarelo.
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Armando Nogueira





