A segunda leva

Muito boa a lista dos nativos que completam a seleção de Parreira pras Eliminatórias. Surpresa nenhuma. A prata da casa é mais homogênea e mais risonha que a dos exilados. É pena que, fora o Marcos, nenhum deles chega com credencial de ser titular. Não há de ser nada. O tempo fará justiça a pelo menos dois deles: Alex e Renato.
O goleiro Marcos está lembrando a muralha da Copa de 2002. Renato, o volante do Santos, é essencialmente melhor que Emerson e até mesmo que Kléberson. Renato faria com Gilberto Silva um dueto do mais fino padrão técnico. Ele é da estirpe de Zito e de Clodoaldo, dois craques de um Santos mitológico.
O santista Diego tem sido o lúcido armador de jogadas do time líder do campeonato. Mais que promessa, Diego é a própria esperança. Seu Q.I. é alto, na cabeça e nos pés.
Luís Fabiano, é um temível predador, com faro de gol. Só precisa deixar de ser tão explosivo. Está na hora de deixar fora do campo as birras de filho único.
Alex, do Cruzeiro, é a grande unanimidade do futebol brasileiro na atualidade. Na minha seleção, Alex seria titular, pelo menos, jogando o que tem jogado este ano.
Em suma, a lista caseira é pequena, porém, muito mais bem bolada que a média da primeira leva.
A vez do óbvio
Minhas restrições aos ''estrangeiros'' vai de Emerson ao zagueiro Roque Júnior, de Juan ao improdutivo Zé Roberto, de Beletti a Júnior. Por sinal que, entre os meus preteridos, Zé Roberto é o mais habilidoso. Falta-lhe, porém, mais objetividade. Não compreendo a convocação do zagueiro Juan, um zero à esquerda. Está na cara que não vai passar do primeiro corte. Já o Emerson, cujo futebol sempre me deu cólicas, esse sobreviverá, mas duvido que seja titular. Emerson é o Guiness das faltas deliberadas. É claro que não apostaria um vintém. Cabeça de treinador costuma ser um labirinto.
No rol dos atacantes, há uma convocação que não me chocou mas surpreendeu: o Rivaldo. Desde o mundial de 2002 que Rivaldo está em órbita. Parece um caso típico de enfado. Cansou de jogar, sei lá! Rico tem dessas coisas. Como, então, entender que Parreira e Zagallo o tenham trazido de volta à seleção, mesmo sendo notório que ele passou a temporada inteira no sereno do Milan? Se jogou três partidas, foi muito.
Só encontro uma explicação pra convocação de Rivaldo: ele próprio pediu pra ser chamado. Digo que ele pediu porque fiquei sabendo de uma fonte quentíssima. Aliás, a comissão fez muito bem em atender Rivaldo. Nada melhor do que contar com alguém que, sendo craque, está a fim.
Do bloco de zagueiros de área, nenhum deles me empolga mais do que o santista Alex, justamente o preterido. Não me digam que o rapaz é inexperiente. Esse clichê não tem cabimento num futebol em que a rapaziada já nasce madura. Que o diga o Diego. E aqui, repito palavras do técnico Leão, falando outro dia no programa de tevê do Juca: ''O Real Madri fica pela Europa catando um zagueiro pro lugar do Hierro e ninguém se lembra que aqui no Brasil tem um jogador chamado Alex, que é um dos melhores do mundo, no momento.''
Enfim, como serão dois anos e meio de Eliminatórias, um dia, quem sabe, o óbvio acaba entrando no time...
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