NA GRANDE ÁREA
A cabecinha de Diego
Deu em nada, pelo menos por ora, a ida do santista Diego pro futebol inglês. Agora, é esperar pra ver o estrago que a frustração terá desatado na cabecinha do garoto. Os exemplos estão por aí, mesmo, fresquinhos, a mostrar o mal que um contratempo desse faz a um jovem jogador.
Certamente, o leitor tem visto jogar o corintiano Liedson. A mim me angustia ver o esforço que ele faz, tentando fazer uma coisa que, há dois meses, se tanto, ele fazia com extrema espontaneidade. A bola dele, que, antes, era feita de pluma, agora, parece de chumbo. A bola mal pingava na área, já lá estava o Liedson, pra desferir uma cabeçada certeira. O movimento era como uma faísca: gol de Liedson.
De repente, Liedson como que esqueceu de tudo. Inclusive, que é o Liedson. Perdeu o norte.
Há três anos, no máximo, Liedson era empacotador de supermercado. Ganhava uma mixaria. Era um fim-de-feira. Não vivia, sobrevivia. No domingo, jogava pelada de várzea. Da noite pro dia, está no Corinthians: tapete vermelho, gols em penca, autógrafos, rancho do bom e do melhor. Eu me lembro dele, no primeiro ano de profissionalismo: tinha o rosto escaveirado de menino pobre. Mudou de semblante. Ficou com cara de bebê de pôster.
Um belo dia, lá se foi o Liedson, contratado a peso de dólar, por um clube da Ucrânia, país rico, esguichando petróleo por todos os poros. Era impossível não fazer as contas: quinze por cento de cinco milhões de dólares, mais um bom troco por mês. Vai dar pra comprar umas três casas, lá na terrinha.
Eis que, de repente, o empresário de cá não se acerta com o empresário de lá. Os dois falam línguas descontratadas. Então, fica o dito pelo não dito. O sonho de Liedson se esfuma.
Agora, Liedson luta arduamente, querendo reincorporar o verdadeiro Liedson, o atacante mercurial que chegava, sempre, antes de qualquer zagueiro. Aquele Liedson, que era o carrasco de goleiro e que, hoje, virou alma penada, vagando pelo campo.
Haja tempo, haja paciência pra conseguir espantar os fantasmas que atormentam a cabecinha de Liedson.
Um olhar no Pan
Lucas Mendes, sempre de olho em tudo que é esporte, me manda o seguinte e-mail, de Nova York: ''Costa Rica , Honduras e Santa Lucia são países simpáticos. Conheço os três. Costa Rica é até país modelo. Em democracia, sem exército e sem golpes, é medalha de ouro. Mas junto com Honduras e Santa Lucia os três ficaram em último lugar nos Jogos Pan-Americanos. Uma medalha de bronze para cada um.
Não faço a menor idéia do impacto de uma solitária medalha no psique nacional mas os americanos, analistas de esportes, acham que a desmoralização esportiva pode ferir mentes e corações.
A poderosa Federação das Escolas Secundárias Americanas, com 17 mil escolas afiliadas, está criando normas para impedir humilhações em campo. O processo não é novo mas ganhou urgência quando um time de basquete de meninas venceu outro, no começo deste ano, por 115 a 2.
Basquete feminino é um esporte em crescimento mas depois de uma humilhação destas várias meninas costumam desistir do basquete e de outros esportes destruindo os objetivos originais dos programas escolares que são criar espirito competitivo, reforçar o corpo e a cabeça e manter a meninada afastada de drogas.
Estas vitórias impiedosas são mais comuns entre meninas do que meninos. Em 1990, Lisa Leslie que agora está na seleção nacional americana, fez 101 cestas de um jogo que terminou o primeiro tempo 102 a 24.
O objetivo do time dela era quebrar o recorde de 105 pontos no basquete feminino durante um jogo. O nome de Lisa Leslie entraria para a história do esporte mas o outro time também não teve piedade. Não voltou para o segundo tempo.
Assinado: Lucas Mendes''
Armando Nogueira
E-mail: [email protected]





