NA GRANDE ÁREA
Um dia, a casa cai
Bem que o São Paulo tem roído a corda, mas, não tem jeito: Kaká vai embora, mesmo. O futebol brasileiro é assim e assim será, certamente, por muito tempo, ainda. Não adianta a cartolagem marota ficar atribuindo a evasão de craques à abolição do passe. Antes, a história não era diferente. Se um bom jogador pintava em qualquer clube, no dia seguinte, já estava armado o conluio pra vendê-lo ao mercado europeu. A transação acabava rendendo uma respeitável bolada, repartida entre cartolas e empresários. O jogador leva um troco e olhe lá.
Por falar em empresário, a classe deve estar em cólicas. Os dois mais famosos já estão em cana. Pelo que leio, Pitta e Martins cada dia se enrolam mais. Amigos, é bom lembrar que estamos falando da dupla mais importante da comunidade dos agentes de futebol. A carteira de Pitta e Martins gerencia a carreira de cerca de 150 jogadores, entre os quais, a estrela maior é Ronaldinho, do Real Madri.
Pelo visto, se a Receita Federal continuar investigando os subterrâneos do futebol, certamente ainda vai pegar muita gente que se imagina imune aos rigores da lei. Esses velhacos talvez nem saibam que Al Capone sempre levou a melhor, escapando, aqui e ali, ao cerco do código penal. Até que acabaria caindo na malha fina do fisco. E é por aí que, um dia, a boa justiça há de chegar aos velhacos do futebol brasileiro.
O soneto de Meligeni
Fernando Meligeni deve ter tido uma premonição. Quem sabe, teve um daqueles bafejos de sonho em que o sujeito constrói um castelo de números, acorda, de estalo, anota algarismo por algarismo e volta a dormir, já, então, o sono dourado de um milionário em franca gestação. No dia seguinte, acerta na Sena.
Seria essa uma boa versão se Meligeni não fosse a criatura que nós conhecemos, não é de hoje. Conheci poucos esportistas tão obstinados como Fernando Meligeni. Nunca teve o tênis estupendo, quase genial, de Marcelo Rios. Em compensação, se Marcelo Rios tivesse metade do fervor de Meligeni, ninguém o desbancaria do 1º lugar no ranking.
Meligeni ganhou a medalha de ouro do Pan porque, não tendo tênis de campeão, tem alma de herói. O moço nasceu pra viver epopéias. Pouco importa se bem ou mal sucedidas. Ser heróico não quer dizer que seja vencedor.
No livro ''A Ginga e o Jogo'', que acabo de publicar, pela Editora Objetiva, há uma crônica chamada ''O soneto de Meligeni'' em que falo de sua passagem histórica pelo Torneio de Roland Garros, em 93, dizendo: ''...Meligeni nunca teve medo de perder e, muito menos, terá medo de vencer...'' E foi, precisamente, por seu épico desassombro, que ele encerrou sua carreira, com chave de ouro.
Rápidas e rasteiras
A figura se chama Tadeu Bosco da Cruz. Apitou Palmeiras x Portuguesa. Fez o que pôde pra ajudar o Palmeiras. Diria a um repórter, findo o jogo, que estava contente por ter sido aplaudido, ao deixar o campo. Sinal de que tinha apitado bem. Pois sim. O repórter esqueceu de registrar que só quem aplaudiu foi a torcida do Palmeiras. De pura gratidão. / / / / / De Zagallo, na seção de frases da revista inglesa World Soccer: ''A seleção brasileira de 70 era o Real Madri de hoje.'' Deixa de modéstia, Zagallo. Aquela seleção era melhor, muito melhor que o Real. / / / / /Alex acaba de completar 500 partidas. Ah, se a gente pudesse selecionar os melhores momentos da bela carreira desse admirável jogador!
Armando Nogueira





