NA GRANDE ÁREA
Insanidade Futebol Clube
Meus amigos, será que meu lugar ainda é aqui? A essa altura, não estarei sobrando na foto? Estou perdendo o siso das coisas. Infelizmente, não tenho o talento da turma do Casseta e Planeta pra tirar um sarro de tantos disparates que andam bagunçando o futebol brasileiro.
Vocês conhecem a história do Ricardo Oliveira? Vale a pena conhecer. Não faz muito tempo, o Santos bateu de frente com a Portuguesa por causa dele. Acabou levando o jogador. Bom de bola, por sinal.
A cena poderia ter sido essa: no começo da semana, treino coletivo no Santos. O Leão começa a distribuir as camisas do time titular. Está faltando o Ricardo Oliveira. Leão manda o bagrinho tomar nota do nome dele. No Santos, não tem conversa: chegou atrasado, leva multa. Uma hora depois, nada de Ricardo Oliveira. Procura daqui, procura dali. Descobriu-se que Ricardo Oliveira estava em casa, já fazendo as malas pra ir jogar no Valencia. Deve estrear lá, domingo que vem.
Ricardo encontra-se com o técnico Nelsinho Batista, no aeroporto de Garulhos? Pura coincidência. Os dois se cumprimentam quase que com a mesma pergunta: O Santos vai excursionar? indaga Nelsinho que, por sua vez, ouve de Ricardo Oliveira: O São Caetano vai excursionar?
Não faz 20 dias, Nelsinho Batista assumia o comando técnico do São Caetano, com um projeto de longo prazo: em um ano, trocaria a turma de cima pela garotada de baixo. Chegou a dirigir o time do São Caetano em três jogos. Antes do quarto, já pegou o boné e foi embora pro Japão, deixando o Azulão a ver navios.
Querem mais? O meia-atacante Leandro, titular do Corinthians, largou o treino pela metade e já se acertou com um time que ele próprio não sabia direito se era da Ucrânia ou do Qatar. Só ficou sabendo é que vão lhe pagar em dólar e não em euro. O empresário prometeu contar o resto durante o vôo. O mistério já se desfez: Leandro é do Lokomotiv, de Kiev.
É de endoidar!
Está ficando, mesmo, cada vez mais excêntrico o futebol no Brasil. Vocês não acham? Quinta-feira passada, o Caixa D'Água foi reeleito, por aclamação, presidente da Federação de Futebol do Rio. São 18 anos de inestimáveis serviços prestados à nobre causa da ruína dos clubes cariocas. Pelo que, ele acaba de receber mais quatro anos de mandato.
Imaginem que tive um sonho, no mínimo, insólito. Sonhei que, na cerimônia de consagração, o cartola jurava; mão sobre a Bíblia, que não pouparia esforços até que tivessem sido varridos da face da Terra, levados pelo mesmo vendaval, o Flamengo, o Fluminense, o Botafogo e o Vasco da Gama. Sentados em volta da mesa, os demais cartolas, verdadeiros burocratas do Apocalipse, todos bem-aventurados, aplaudiram o eminente líder e, tal como no próprio Apocalipse, do apóstolo João, prometeram mostrar a seus servos as coisas que brevemente devem acontecer a seus clubes. Não restará pedra sobre pedra.
Em nome de tão infausto acontecimento, a CbF ordenou que, nos jogos de hoje, todos os times ostentem tarja preta na manga da camisa; e que, em todos os estádios, seja observado um minuto de silêncio.
Tudo em nome de tão infausto acontecimento.
Rápidas e rasteiras
Um leitor estranha que eu tenha considerado o ar rarefeito do México um problema pros times visitantes. Conta que já esteve na Cidade do México e não sentiu qualquer mal-estar respiratório. Flavio não disse se teve que correr, pra cima e pra baixo, durante hora e meia. / / / / / Venho de tempos em que o árbitro já era xingado, sim, mas, pelo menos dentro de campo, ainda recebia o tratamento respeitoso de Vossa Senhoria. Como bem observa o Calazans, o jogador dá broncas homéricas em qualquer um deles. E como reage o juiz? Enfia o rabinho entre as pernas e sai de fininho. Falência total da autoridade.
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