Quarta-Feira de Cinzas

Mais uma Quarta-Feira de Cinzas na folhinha do futebol carioca: Fla, Flu e Vasco, juntos, apanharam de 9 a 1, assim distribuídos: dois do Fortaleza no Flamengo, três, do Coritiba no Fluminense e quatro, do Cruzeiro no Vasco da Gama. O gol do Vasco, tão inútil quanto melancólico, será repartido, irmamente, entre os três perdedores, tocando a cada um deles um terço do mísero gol. Assim, ninguém terá perdido de zero. Larguezas de co-irmãos...
Pra que não passe em brancas nuvens tão catastrófica jornada, os cartolas dos três clubes vão entregar ao presidente Caixa D'Água um diploma, em placa de prata, vazada nos seguintes termos: ''Dedicamos nossas derrotas ao guia-mestre e pastor de pesadas trevas, pelos inestimáveis serviços prestados à causa comum da nossa lenta agonia.'' Assinado: Hélio Ferraz, David Fischel e Eurico Miranda.
Não deixa de ser tardio o reconhecimento dos três clubes. São 18 anos seguidos, na árdua cruzada de acabar de vez, os outrora quatro grandes do futebol do Rio. E, como, mais dia, menos dia, o indigitado pastor receberá novo mandato, é provável que, nos próximos quatro anos, tenham desaparecido do mapa, pra sempre, o Fla, o Flu, o Vasco da Gama e o Botafogo.
Pelo que, desde já, mande-se rezar missa de réquiem por alma do futebol carioca.

Basta de indisciplina
A Justiça Desportiva perdeu, de vez, a paciência com a indisciplina e está mandando ver contra o destempero de jogadores e contra a pusilanimidade da arbitragem. Um bom exemplo é o último Corinthians x Santos. Quem brigou e brigou feio pegou penas pesadas; pesadas e, diga-se a bem da verdade, de todo merecidas. O juiz da partida, Sálvio Spindola, viu a invasão do gramado, viu a troca de agressões físicas, ele próprio foi desafiado, hostilizado, desmoralizado e a súmula passou ao largo da zorra em que se transformou a partida.
Tomara que a linha dura de Luiz Zveiter e seus pares não esmoreça. A barra não vai ser fácil. Haverá pressões de todo lado. Cartola, treinador, jogador e até mesmo a banda podre da torcida, todos vão se unir contra o STJD. A própria imprensa, não toda, mas uma boa parcela, tentará minar a campanha em que está, agora, empenhada, a mais alta corte da Justiça Desportiva.
Os cartolas precisam começar a pagar pelo mau costume de passar a mão na cabeça de jogadores indisciplinados. Paternalismo estúpido. Ai está a lição dos europeus. Lá, não tem contemplação. Levou cartão, amarelo ou vermelho, o primeiro a enquadrar o jogador é o próprio clube. Se ficar provado que o ato foi injustificável, multa nele.
Na Liga japonesa não é diferente. Outro dia, um jogador cometeu uma exorbitância e foi expulso. A Liga deu-lhe dois jogos de suspensão. Achando que a pena tinha sido branda, o clube, por conta própria, sapecou-lhe mais três jogos, além de uma boa multa.
A ética esportiva entra em campo; e já entra pra lá de tarde.

Rápidas e rasteiras
O time do Cruzeiro está chegando lá: joga bem, joga bonito, é coeso, ataca e defende maciçamente. E pra beirar o futebol dos meus sonhos, fez, contra o Vasco, exatas nove faltas, na partida inteira. / / / / / Vanderlei Luxemburgo tem todos os méritos na montagem dessa bela equipe mineira. Ele sabe lidar com os jogadores. Pena que lide tão mal com o Fisco. / / / / / O arrastão que dizima o futebol brasileiro ganha novos mercados, além da Europa. Agora, o Oriente Médio também está entrando na dança, com enxurrada de petro-dólares.

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