Os heróis do vôlei
Abre alas futebol! Abre alas que o vôlei está passando, embandeirado, pelas avenidas que levam ao coração do Brasil. Quem viu o jogo, domingo, depois do almoço, deve ter chorado, ao menos, aquelas lágrimas do mais puro contentamento; lágrimas íntimas que, se não escorrem, marejam os olhos da aflição e da esperança.
O quinto set parecia tão infinito como os próprios números. Devia terminar em 15, mas só foi acabar na casa dos 30 pontos. Precisamente, 31 a 29. Jamais vivi no vôlei momento tão arrebatador. Bolas épicas, de mãos canonizadas, que se elevavam na quadra como preces de igreja. Ainda bem que, como diz o poeta, ''meu coração tem catedrais imensas!''
Quando o perdedor é tão magnífico quanto o vencedor merece, por consolação, que se diga: a equipe servo-montenegra saiu de quadra engrandecida. Não triunfou, mas manteve, intangível, sua glória de campeã olímpica.
Feliz é o povo que pode cultuar heróis como os nossos, canonizados nas batalhas do esporte. Santificada guerra em que não se dizimam vidas. Benditas lutas em que não há mortos, nem feridos. No honrado confronto do esporte, não há bandeiras a meio pau.
Glórias, pois, aos heróis do vôlei que enchem de aleluias o coração do povo brasileiro.


O naufrágio do futebol
Diz o Caixa, do alto de sua prosopopéia, que o futebol do Rio é um espelho feliz da Federação que ele dirige, há 15 anos. Só não diz com aval de quem. Pois digo eu: é do capeta. Esse homem seria um pândego se não fosse um energúmeno de marca maior. Quem sabe ele não é, ao mesmo tempo, dois estropícios?
Por obra da mais supina incompetência da Federação Carioca, o futebol do Rio está se afogando nas vascas da agonia.
Fluminense, dos vitrais olímpicos, quem te viu e quem te vê! Flamengo, que de mal fizeste ao futebol pra merecer tão melancólica? Logo tu, que és o Brasil mais brasileiro do saudoso Ary Barroso? E tu, Botafogo, reduzido à luz inútil das estrelas cadentes? Do Vasco da Gama não falarei porque seu infortúnio tem sido tramado na sinistra parceria que junta, no mesmo saco, Eurico Miranda e Caixa D'Água.
O futebol, meus amigos, é parte de um lendário binômio que sempre fez feliz o povo de uma cidade que nunca soube chorar tristezas.
Rio.

Rápidas e rasteiras
O futebol de hoje em dia parece mágica de circo: de repente, o jogador some do time, some do clube, some da cidade. Liedson, estrela do Corinthians, é o exemplo em questão. Num piscar de olhos, saiu de cena como por encanto. / / // / A estréia brasileira na tal Copa Ouro, no México, me desapontou, mas tem explicação. Pegam uma meninada sem treino, botam pra jogar no ar rarefeito da Cidade do México e querem que dê certo, de cara? No futebol, não tem essa de embrulha e manda. / / / / / Se não foi por contusão ou fadiga, Diego não devia ter sido substituído. A tirar alguém lá da frente, que se tirasse Robinho. Diego é e sempre será o centro da circunferência de sua equipe. / / / / / O time do Botafogo, agora, sim, começa a tomar jeito de competidor de verdade. Triunfo à parte, o jogo contra o Sport deixou, pelo menos em mim, uma boa impressão de coletivismo e espírito de luta. / / / / / O técnico Vadão defendia, outro dia, o que chamava ''falta tática''. Segundo ele, o jogador não se deve deixar ultrapassar pelo adversário, sem fazer uma falta. Pergunto: não seria melhor pro futebol que o treinador ensinasse o marcador a tirar a bola do rival, numa prova de competência e de apreço á ética do jogo?

Armando Nogueira
E-mail: [email protected]

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