O melhor do Brasil

Quem viu o jogo Cruzeiro 3 x 2 Inter, está perdoado se não viu mais nada, domingo, em matéria de Campeonato Brasileiro. Foi a partida da rodada. Enriquecida de muito ardor, de fina técnica, de destemor e de lealdade. Teve, ainda, realces individuais, tipo Alex, Maurinho e Deivid, pelo Cruzeiro, Daniel Carvalho e Diego, pelo Inter. Esse Diego, do Inter, tal como o do Santos, antes de ser gente grande, já tem atributos de craque. O Cruzeiro é, sem sombra de dúvida, a equipe mais bem dotada do Brasil, ao lado do Santos.
Deu gosto ver jogar o Cruzeiro. Como dá gosto, também, ver o Santos jogar. São dois times de dimensão internacional. Se tiver que escolher entre os dois, qualquer um vai ter de pensar duas vezes antes de concluir qual é o melhor. Eu, por exemplo, já pensei as minhas duas vezes e confesso que ainda não decidi. Com perdão pela momentânea infidelidade, meu coração palpita pelos dois...
Domingo, o Cruzeiro me encheu os olhos. Hoje, será a vez do Santos mostrar suas fichas, contra o Boca, na decisão da Libertadores. É claro que a parada santista é muito mais ingrata. O time argentino chega com respeitável vantagem de 2 a 0, lá na Bombonera.
Quem sabe, hoje, eu consiga me definir entre esses dois amores: Santos ou Cruzeiro?
Santos: atacar ou atacar!
Que dá pro Santos vencer, acho que dá por que não? Que dá pra vencer e até sair campeão, também acho que dá, mas que não é nada fácil, não é, mesmo. Nesse caso, o desafio torna-se muito mais árduo. Por uma razão de ordem tática: o Santos só tem uma alternativa, que é atacar ou atacar. E é aí que está o perigo. A atitude ofensiva enfraquece o time, no plano defensivo. O Boca não quer outra coisa. Tem dois atacantes, ambos velocíssimos, que vivem precisamente de contra-golpe: Tévez e Delgado.
Se o time do Santos vencer e vencer conquistando a Libertadores, não será uma grande façanha. Terá sido um verdadeiro prodígio.
Alex é um poeta
É cada vez mais requintado o estilo de jogo de Alex, do Cruzeiro. Ele tem com a bola uma relação do mais fino trato. É um criador de trajetórias; inventor de gestos lúdicos. O passe dele é um verso. Aliás, quem vive cobrando mais constância de Alex ainda não parou pra pensar numa coisa: Alex é um legítimo poeta do jogo e, como tal, depende de sopros de um espírito misterioso. Ninguém é poeta 24 horas por dia.
A propósito, é de uma poeta, Adélia do Prado, o seguinte desabafo: ''De vez em quando, Deus me tira a poesia: olho pedra, vejo pedra mesmo.'' Pois com Alex dá-se o mesmo: de vez em quando, ele sai do ar, pra reaparecer, mais adiante, com um verso no peito do pé.
Rápidas e rasteiras
O volante Sidney, do Fluminense, perdeu totalmente as estribeiras, dando um pontapé, pelas costas, no atacante Gil, do Corinthians. Ninguém, por mais desleal que seja, há de merecer uma agressão assim, tão estúpida, como aquela. Muito menos um jogador disciplinado e íntegro como o Gil. / // Ponto alto do time do Cruzeiro, além da arte de Alex e do poder de chute de Deivid: a resistência física, a técnica individual e o senso de jogo coletivo dos laterais Maurinho e Leandro. / / A Copa das Confederações é da França, mas muito fica devendo ao futebol esse inexpressivo torneio inventado pela Fifa, pra estorvar a vida dos clubes e a enriquecer empresários de futebol. / / Por falar em empresário de futebol, nos últimos dias, Ronaldinho tem fechado contratos de publicidade, mesmo não podendo contar com seus dois agentes, Pitta e Alexandre Martins, que já amargam um xilindró de pelo menos uma lua.
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