NA GRANDE ÁREA
Falta de gol, falta de ética
Os matemáticos do futebol fazem as contas e se espantam: o campeonato está minguando, em matéria de gol. Já teve louvável média de três e picos, por partida, veio caindo, caindo e, domingo, a rodada já despencou pra 2,8.
Futebol de muitas faltas é futebol de poucos gols. Os times estão se fartando de fazer falta. É empurrão, é rasteira, é agarrão, é até mesmo agressão.
O Campeonato Brasileiro é recordista mundial em quantidade de faltas por partida. Na Europa, a média é de 25 por jogo, no Brasil, é o dobro de 50 pra cima. É a conta hedionda dos coveiros do futebol.
A palavra chave, portanto, é... falta. Falta de gol, falta de técnica, falta de ética, falta de autoridade.
Haverá saída? Pelos cartolas de clube, não; pela CBF, também, não; pelos treinadores, nem pensar; pelos jogadores, jamais. Quem sabe a salvação da lavoura possa vir da justiça esportiva. No último fim de semana, os presidentes de tribunais esportivos regionais se reuniram no Paraná e decidiram entrar em campo, pra valer.
Dias antes, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Luiz Zveiter, mandou suspender, preventivamente, o jogador Jorginho, do Paysandu, por agressão ao atacante Carlos Alberto, do Fluminense. No mesmo ato, requisitou o teipe da partida pra comprovar a violência.
Daqui pra frente, a justiça desportiva vai ficar vigilante. Em cada estádio, haverá alguém de olho na disciplina dos jogadores.
Seria bom que a justiça desportiva pudesse aprofundar sua cruzada saneadora do futebol, punindo, também, os técnicos que ficam à beira do campo, pregando abertamente a violência, incendiando os seus jogadores, a gritar Pega! Pega! Pega! Grito que é a própria lei do carcará: pega, mata e come...
É mais que chegada a hora de acabar com a violência que está entristecendo o Campeonato Brasileiro.
Lei neles, doutor Zveiter!
Rápidas e rasteiras
É realmente assustadora a intolerância da torcida, seja de que time for. A do São Paulo vaiava, domingo, o seu grande ídolo: Kaká. Por que? Francamente, o fenômeno escapa ao meu entendimento. Ninguém sabe de quais sentimentos se nutre o coração humano. / / / Corinthians x Cruzeiro não passou do 1 x 1, mas valeu a pena. O Corinthians transbordou brio; o Cruzeiro, além de não ter ficado aquém no quesito empenho, ainda voltou a exibir o vistoso padrão de jogo que o mantém invicto há 35 partidas. // / Há dois ou três anos, vi um Chalenger de tênis, no Rio. Lá estava um guri de 17 anos, que já batia um bolão. Era o argentino Guilhermo Coria, um toquinho de gente, agora, campeão do Masters, de Hamburgo. Joga demais o garoto, hoje, símbolo de uma geração de grandes tenistas com que a escola argentina está povoando as quadras do mundo inteiro. São uns 12 tenistas, todos eles, excelentes. A Argentina rivaliza com a Espanha na abundância de grandes tenistas. / / / O São Paulo derrotou o Paraná, 2 a 0. Mas o placar não reflete a realidade da partida. O Paraná jogou como uma equipe, tudo certinho, tudo bem organizado. O São Paulo, coletivamente, tem menos harmonia que um estouro de boiada. Salvou-se pelo valor pessoal de Kaká e de Luís Fabiano. / / / Uma cifra sombria de um futebol sem ética: o jogador Carlos Alberto, do Fluminense, tem sofrido, em média, dez faltas por jogo. É o preço que o jovem atacante está pagando por ser bom de bola. Anulando Carlos Alberto, os rivais cortam pela raiz o risco de começar a perder o jogo. E ainda há quem não considere Carlos Alberto um craque.
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