De olho no futuro

  A seleção joga, hoje, contra o México. Seria melhor dizer que a seleção faz mais um treino, o terceiro, com o técnico Parreira. Mas, a hierarquia é implacável: em matéria de seleção, seja quem for, entrou em campo, é pra valer. Na verdade, o técnico está começando a refazer a equipe, ainda que a base deva ser a da campeã mundial.
  A idéia de Parreira é muito clara: reunir, no mesmo barco, o passado recente e o futuro próximo: Ronaldo e Adriano, Kléberson e Diego. A receita é a mais aconselhável. Se for preciso mudar, a mudança terá sido feita, segundo um processo natural. Evolução e não revolução.
  Sem contar um ou outro nome, tipo Emerson, o elenco de Parreira é satisfatório. Emerson, tecnicamente falando, não me convence. Vejo com entusiasmo, aí sim, a presença do pernambucano Juninho, que joga no francês Lyon. Esse jogador devia ter participado do Mundial Coréia-Japão. Juninho é o meia-atacante ideal: cerca, desarma, toca a bola e ainda domina um trunfo precioso: o chute de efeito, em bola parada.
  Infelizmente, Felipão preferiu o Juninho Paulista, que também é de bola, sem dúvida, mas que não tem o mesmo senso coletivo do outro. Acho que Parreira está levando o Juninho certo. Até porque o estilo do craque pernambucano combina com a filosofia de jogo de Parreira que privilegia o passe, acima de todos os demais fundamentos. O passe de Juninho é excelente.
  Diego e Robinho são ambos um bom sinal de que o técnico está de farol alto ligado. É preciso cuidar do presente sem tirar os olhos da linha do horizonte. Os dois jovens estarão ganhando uma experiência valiosa, seja pensando no torneio olímpico, seja pensando no Mundial da Alemanha, em 2006.
Ponto pro Parreira
  Diego e Robinho contam ponto pra Carlos Alberto Parreira. Coerente com a velha teoria de que o craque já nasce craque, vejo a convocação dos dois santistas como um bom sinal de que vem renovação por aí. Se os dois jogam, hoje, é outra história. Seria bom que ambos tivessem o gostinho de jogar ao lado de eminências como os dois Ronaldinhos, pra citar o máximo em matéria de excelência técnica e de notoriedade.
  Diego e Robinho são dois estilos diferentes: Diego é reflexão, é senso de conjunto, Robinho é intuição, é individualismo. Diego, à luz da sociologia do futebol, é apolíneo; Robinho é dionisíaco. Ambos, porém, são brasileiríssimos, seja no ardor, seja na faculdade de criar espaços surpreendentes.
  Parreira está fazendo com Robinho e com Diego o mesmo que fez com Ronaldo, em 94. Com uma diferença, a meu ver, favorável ao técnico: o fenomenal Ronaldo ficou no sereno a Copa inteira. Diego e Robinho, ao contrário, podem entrar na seleção, de cara, hoje. Afinal, trata-se de um amistoso que, em nada se compara a uma competição da envergadura do Mundial-Fifa.
Rápidas e rasteiras
  Edílson, no Flamengo. Muito bom pro Flamengo, melhor, ainda, pro Campeonato Brasileiro. Edílson encarna, com perfeição, todas as virtudes ancestrais que dão tanta graça ao futebol brasileiro, a saber: o samba, a capoeira, a malícia, a irreverência. Então, que venha o ‘‘Capetinha’’; e, quanto antes, melhor. / / / A volta de Virna à seleção, assim como, o perdão à rebelada Raquel, reforçam expressivamente a equipe dirigida por Marco Aurélio. Ponto pra ele. / / / Até que enfim, leio uma declaração repassada de bom-gosto essencial e formal dada por alguém do mundo do tênis. O autor é o tenista suíço Roger Federer, por sinal, excelente, numa entrevista a L’Equipe Magazine, de Paris: ‘‘É simpático ser importante, mas, mais importante é ser simpático.’’
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Armando Nogueira

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