NA GRANDE ÁREA
Dois times em alta
O Cruzeiro divide com o Corinthians as honras da terceira semana de campeonato nacional. A goleada que sapecou no Paysandu, sábado passado, repõe o time corintiano no plano, sempre elevado, de suas históricas ambições. Mesmo privado de Vampeta, seu regente, o Corinthians fez a festa pra quem gosta do bom futebol.
O campeão mineiro, por sua vez, repetiu a overdose do triunfo de 4 a 2 sobre o São Paulo. Depois do jogo com a Ponte Preta, o técnico Abel Braga, da Ponte, reconhecia que o Cruzeiro desponta como o grande time da temporada. Nas duas últimas partidas, a equipe mineira foi simplesmente exemplar, com seu padrão de jogo eminentemente coletivo.
É por aí que se afirma, uma vez mais, a competência de um treinador. Vanderlei Luxemburgo forjou uma equipe que, acima de tudo, preza o jogo de conjunto. E essa característica é mais relevante, ainda, quando se sabe que talento individual é o que não falta à equipe do Cruzeiro. Lá estão jogadores do nível de Luisão e Alex, de Deivid e de Maurinho. Alex é magnífico, os outros são excelentes, mas ninguém pretende se sobrepor ao princípio essencial do jogo que é a solidariedade.
Na prática, solidariedade quer dizer: o passe. O time do Cruzeiro não menospreza o drible, como recurso, mas seu forte tem sido a troca de passes, com um expressivo coeficiente de acerto no fundamento.
Assim, o time do Cruzeiro vai indo muito bem, obrigado.
A química do Fla-Flu
Meu personagem da semana não é um jogador; meu personagem é um jogo. Mais que um jogo, é uma entidade do futebol uma entidade chamada Fla-Flu, essa bela sigla com timbre de verso que os tempos já converteram em lenda.
Domingo, foi tarde de Fla-Flu, no Maracanã. E, pra que se cumpra, mais uma vez, a tradição de alternância no altar do triunfo, agora, foi a vez do Flamengo. Vi a partida e posso dizer a quem não viu que a vitória do Flamengo foi realmente arrasadora. Tão arrasadora quanto a do Fluminense, em jogo recente. Sempre foi assim e sempre assim será. Uma lá, outra cá. Porque o Fla-Flu não é uma simples partida entre duas equipes, entre dois clubes, entre duas torcidas. O Fla-Flu tem camisa própria. Tem desígnios que são só seus. O Fla-Flu tem torcida própria.
Misturando estações
Está na hora de repisar uma tecla que anda um tanto esquecida pela arbitragem: bola na mão é uma coisa, mão na bola é outra, completamente diferente. A primeira é um mero acidente de jogo; a segunda, uma infração.
Na partida do Figueirense com o Santos, em Santos, o árbitro Lourival Dias Lima Filho marcou um pênalti contra o visitante, em lance claríssimo de bola na mão. Vi, ao vivo, revi no teipe, que o jogador não teve a menor intenção de cortar com o braço o lançamento da bola. O lance foi tão à queima roupa que o suposto infrator, nem que quisesse, teria tempo de reagir deliberadamente.
É inadmissível que o juiz não saiba discernir sobre a intencionalidade ou não do gesto. A turma do rádio e da tevê, essa, não hesita: se a bola toca no braço ou na mão do defensor, a rapaziada não quer nem saber: vai logo gritando que foi pênalti. Mas essa é apenas uma questão que se resolve com uma aula sobre regras, nos bastidores da redação. Já o árbitro, convenhamos, amigos, mas é o cúmulo do despreparo que um juiz seja incapaz de julgar corretamente a intenção do jogador. No caso do Luciano Sorriso, do Figueirense, o árbitro cometeu um grave erro de interpretação.
Será que a Comissão de Arbitragem vai punir o Lourival Dias Lima Filho, ao menos, com um puxão de orelhas?





