Minas dá samba!

  Meus amigos, o time do Cruzeiro vai dar samba neste campeonato. Que o diga o São Paulo, vítima de um dos contra-ataques mais temíveis do momento. Quando se fala em contra-ataque, logo vem ao pensamento a cena de um passe longo que culmina com um chute mortal.
  Com o time do Cruzeiro, porém, a história me parece diferente. A idéia de contra-ataque é só pra sugerir a rapidez com que seus jogadores partem do próprio campo, em movimentos coletivos. Eles vêm tocando a bola, com passes precisos e com um agudo sentido de penetração.
  No samba Feitiço da Vila, Noel Rosa diz que Minas dá leite... O vascaíno Wagner Tiso pegou o mote e já batizou seu novo CD, em gestação, com o título de Minas dá samba. O disco reúne a fina-flor de sambistas mineiros, tais como Ari Barroso, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira. Pois, então, embarcando na do maestro, eu vos digo que o time do Cruzeiro, jogando assim, vai dar samba, este ano.
  Aliás, os dois mineiros já arrancaram de pé-na-táboa.
Kaká e Vampeta
  O time do São Paulo, sem Kaká, perdeu o encanto. Fenômeno semelhante parece ter ocorrido com o do Corinthians. Privado de Vampeta, o time corinthiano está um tanto desorganizado. Vampeta é a peça principal das ações ofensivas da equipe. Sem ele, a coisa tem ficado nebulosa, justamente, na zona de criação. Nem Fabinho, nem Fabrício têm a clarividência de Vampeta. Engraçado é que Vampeta joga o tempo todo com um certo ar de vagamundo, meio boêmio e, assim, vai levando a bola e a vida, com maestria. A verdade, é que ele é um volante da melhor e mais clássica estirpe. Não parece, mas é, sim.
  Do ponto de vista tático, Kaká não seria um êmulo de Vampeta. Sua função, no time do São Paulo, é bem distinta. Ele divide com Ricardinho o papel, não de volante, mas de meia-atacante. E como tem talento, tem explosão física, tem passada larga, numa centelha, ele se junta a Reinaldo e a Luis Fabiano, formando com os dois um trio ofensivo digno do maior respeito. Reinaldo, mais que Fabiano, decai sensivelmente quando não tem Kaká perto dele.
  Conseqüência inevitável: o sortimento de jogadas ofensivas do São Paulo se empobrece sensivelmente, na ausência de Kaká. E o que é mais grave: o time de Oswaldo de Oliveira, mal servido de laterais, acaba tendo que afunilar as jogadas. Faz justamente o que convém ao adversário. Qualquer bola retomada nas imediações da meia-lua, é contra-ataque na certa.
  O futebol paulista vive um momento sombrio, nesse começo de campeonato: o São Paulo amarga uma crise técnica, agravada por um quadro político inquietante; o Corinthians não se apruma, pelo menos até que descubra uma boa opção pro Vampeta; o Santos ainda não despertou do embalo triunfal de 2002 e o Palmeiras, bem, o Palmeiras, pelo menos temporariamente, vai tentar vender seu peixe noutra freguesia.
Rubinho, o patético
  Mais uma vez, Rubinho Barrichelo provou que nasceu com a vocação do erro. Mesmo quando não erra, as coisas acabam dando errado pra ele. Se pros outros pilotos correr é uma grande aventura, pra ele, correr é, quase sempre, uma atroz desventura. A trajetória de Rubinho tem um quê de pungente que transparece no próprio semblante dele.
  Quando parecia que, finalmente, ele conquistaria o Grande Prêmio Brasil, eis que, de repente, sua colossal Ferrari abre o bico e morre, à mingua, no meio da estrada, patético como uma reles Maria-fumaça de província.
  Pela cena melancólica de Rubinho, sentado no meio-fio, encarnando o próprio desconsolo, faço dele o meu personagem da semana. Rubinho, o patético.
E-mail: xapuriªarmandonogueira.com.br

mockup