Um gol de aleluias

  Num domingo de tantos jogos, eu tinha que escolher um. Decidi ficar em Vila Belmiro. Lá, jogava o campeão brasileiro, com Diego e Robinho. Azar o meu, me dei mal. O time do Paraná fartou-se de dar bordoadas, algumas desclassificantes, principalmente, em Diego. Cheguei a contar, só no primeiro tempo, oito faltas, cometidas nas barbas do árbitro e todas em Diego. Assim, fica difícil pro garoto provar que é craque.
  Pra dignificar seu apito, o juiz Café devia ter reprimido, mais severamente, a brutalidade de alguns jogadores do Paraná. O jogador Marquinhos (por sinal, bom de bola) perpetrou contra Diego um misto de carrinho com tesoura, desses que pedem prisão em flagrante, se possível, com direito a algemas. Esse tipo de falta é de levar qualquer um à cólera.
  A abertura do campeonato, pelo menos pra mim, não deixará saudades. Não é possível alguém analisar um jogo em que se cometem tantas faltas. O jogo a que assisti, Santos x Paraná Clube, passou fácil da cifra sombria de 50 interrupções. O Guarani, sábado, fez 49 contra o Vasco, que ficou na conta das 24. O Criciúma fez 51 faltas contra 22 do Fluminense, das quais nada menos de 18 em Carlos Alberto. Esse é outro que está pagando caro por ser bom de bola. Meu bom Calazans tem razão: isso é tudo, menos futebol.
  Ora, amigos, ninguém me convence de que está afim de jogar bola um time que comete 50 faltas numa só partida. A coisa se agrava ainda mais pela indigência da arbitragem. Se a CBF não abrir os olhos, e, desde logo, direi que não vai abrir, os juízes podem levar esse campeonato à desordem absoluta.
  Viu-se uma estréia de raras aleluias, a maior delas quem nos brindou foi o Alex, autor de um gol que bem merece um autógrafo do autor. Um prodígio de habilidade técnica.
O herói da semana
  Bola em jogo no Campeonato Brasileiro de 2003. Pela primeira vez, teremos um campeonato de quatro estações: começa no outono, atravessa o inverno, atravessa a primavera e vai terminar em dezembro, às portas do verão. Toda segunda-feira, vou escolher o meu personagem da semana saído, naturalmente, do campeonato. Mas que pode vir de outros campos. É o caso de Deco. Hostilizado, rejeitado, desmerecido, Deco acabou sendo o herói da vitória portuguesa contra o Brasil. Figo e outros figurões tentaram vetá-lo, dizendo, pela imprensa, que, mesmo naturalizado português, Deco, por ser brasileiro nato, não podia defender a seleção de Portugal. Um chauvinismo boboca. Resumo da ópera: Deco fez o gol da vitória portuguesa, foi aclamado pelo estádio em delírio e ainda ganhou um beijo do Felipão, que foi quem comprou, sozinho, a briga da convocação do Deco.
  Pelo que fez no jogo, elejo Deco o meu personagem da semana.
Rápidas e rasteiras
  Roberto Carlos deu uma senhora peitada no árbitro de Brasil x Portugal. Aquilo é agressão, sem nada tirar nem por. Como se considera acima dos mortais, o lateral já tranqüilizou seu colega do Real, o jogador Figo, que foi ao vestiário brasileiro confortá-lo depois do jogo: ‘‘Fica tranqüilo que não vai acontecer nada comigo. Ninguém vai me punir’’. E não vai mesmo, não. Quem julga a conduta dos jogadores nos amistosos da seleção é a CBF. Ora, a CBF, nem precisa falar. / / / O 3 a 0 que o Atlético Mineiro sapecou no Corinthians é um aviso aos navegantes: o Galo está no páreo, sim senhor; e que ninguém duvide. Outra observação sobre o clássico do Pacaembu: sem Gil e sem Liedson, sabe quando é que o Corinthians vai fazer gol em time de peso? Nunca!
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