Um jogo soberbo

Infelizmente, minha ficha técnica é muito pobre de Corinthians x São Paulo. Sou de um tempo em que a televisão, meramente paroquial, pouco mostrava de futebol paulista a olhos distantes como os meus, que sempre vivi e trabalhei no Rio.
Domingo passado, espero ter purgado todos os pecados (veniais) por não ter acompanhado a saga de um clássico tão arrebatador. Certamente, foi assim que nasceu e cresceu uma rivalidade, a essa altura, já convertida numa poderosa crença de venerações pagãs.
Que beleza a partida São Paulo e Corinthians! Analisado sob qualquer plano técnico, tático, mental, disciplinar só se pode dizer uma coisa: o jogo foi pra lá de soberbo. A tal ponto empolgante que o observador neutro, que é o meu caso, acabaria emocionalmente dividido: ora, eu vibrava pelo Corinthians, ora, pelo São Paulo. Vivi, na verdade, a singular ambivalência de torcer pelos dois, simultaneamente.
Poucas vezes tenho visto um jogo de tal intensidade dramática. É nessa hora que o futebol se torna realmente um épico irretocável. Em tudo, inclusive, no fervor de um Morumbi transbordante de emoção. E reparei uma coisa: quanta gente jovem nas duas torcidas. A televisão mostrava, a todo instante, mocinhas recém-chegadas, rostos em flor, a torcer, contritas, por uma vitória que lhes daria o direito, antes só os meninos, de aparecer no colégio, segunda-feira de manhã, trajando, triunfal, a camisa de sua nova paixão.
Venceu o Corinthians, com todos os méritos; méritos que, por sinal, não foram maiores que os do São Paulo. E assim cumpriu-se a minha cômoda profecia, segundo a qual o grande vitorioso do clássico seria o futebol.
Que o meu vaticínio se repita, domingo, seja qual for o campeão.
Sua alma, sua palma
Fluminense e Vasco. Por favor, não me perguntem quem vai ganhar hoje. Profetizar não é o forte dos mortais. Principalmente, no futebol, que é o reino encantado dos caprichos, dos sortilégios, das estravagâncias. Os dois times, a meu ver, até que são bem parelhos. Estão no mesmo nível técnico. Que, a bem da verdade, não chega a me empolgar. Tenho visto coisa melhor no atual futebol brasileiro.
Felizmente, pro futebol, é jogo decisivo e, jogo decisivo, vai muito além da técnica. Está muito acima da exatidão das pranchetas. A instância que manda, mesmo, é subjetiva. O mais que posso predizer é que vencerá, hoje, quem conseguir o prodígio de fundir numa só as onze almas da equipe. No futebol é exatamente como no amor: o sucesso depende da alma.
É isso aí.
Rápidas e rasteiras
Se o São Paulo abrir mão de Oswaldo de Oliveira, saiba que estará perdendo um profissional competente e do maior respeito. Melhor pro Flamengo, se é que os rubro-negros estão mesmo pensando em contratá-lo. / / / / / Uma perguntinha aos médicos do São Paulo: senhores, não terá sido uma temeridade escalar Kaká, no clássico de domingo passado? O músculo do jogador (coxa) não estava nada católico. / / / / / Os tricolores que conheço estão desconfiados da arbitragem de Fluminense x Vasco da Gama, hoje. Eles sabem por quem costumam soprar os apitos no futebol do Rio. / / / / / Tudo indica que Felipão pode ter entrado numa encrenca, em Portugal. Figo e companhia não gostaram da provável inclusão do brasileiro Deco na nova seleção portuguesa. Uma coisa, porém, conta ponto pro treinador brasileiro. Há três temporadas que o Deco vem sendo eleito o melhor jogador de Portugal. Ele é o grande herói do Porto F. C. Deco, naturalizado português, é tido como excelente armador, até com tintas de artilheiro.
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