NA GRANDE ÁREA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Armando Nogueira 
Em nome do ganha-pão, tenho ouvido cada bobagem em matéria de futebol. Uma das maiores, agora, repetida por Zagallo, é essa que leio na coluna do Calazans: ''Time que joga bonito perde; time que joga feio vence.'' Meus amigos, esta irritante simplificação vem do Mundial de 82, quando o Brasil, de Telê, que era um show, acabou perdendo e dançando da Copa no meio do caminho. Já a Itália, cuja seleção era um porre completo, sairia da Espanha como campeã do mundo. Pronto: estava consagrada a mediocridade.
Por sinal que a decisão entre Itália e Alemanha, no Estádio do Real Madri, me propiciou um dos mais longos cochilos de minha vida. Eu tinha comido uma ''paella'', ali por perto, e não resisti ao marasmo da partida. Dormi quase o jogo inteiro. Bendita ''siesta''.
Zagallo cita a frustração de 82, querendo exaltar a seleção brasileira de 94, campeã mundial, com um padrão de futebol, eu diria, de quase-sesta. O ilustre treinador esquece que quem o contesta é a sua própria biografia. Ele conquistou a Copa duas vezes, em 58 e 62, numa quipe que fez história e que história! precisamente porque vencia, jogando o fino do futebol. Não esquecer, também, que ele, Zagallo, era o técnico da seleção de 70, a outra grande odisséia de glórias do futebol brasileiro.
Aí estão três exemplos incontestáveis de que, por bem do futebol, eficiência e beleza fazem um casamento perfeito. Eu diria até que um nasceu pro outro.
Enfim, a pergunta a fazer me parece que seja a seguinte: o que é melhor pros olhos e pro coração de quem ama o futebol: uma equipe que jogue feio e vença ou uma equipe que jogue bonito e vença? Não vale responder que fica com as duas...
Rápidas e rasteiras
Os times mais celebrados do Campeonato Paulista, no momento, são o Santos e o São Caetano. Os outros três grandes, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, ainda estão meio por baixo. Mas, não há de ser por muito tempo. Os três têm cacife pra reagir. Quem viver verá. / / // / Tem gente cuspindo fogo com a derrota brasileira contra os suecos, na Davis. O Renato Maurício Prado é um e não perdoa o Ricardo Acioly, achando que a escalação de Flávio Saretta no jogo final foi uma pisada de bola. Saretta, segundo Renato Maurício, devia ter jogado na primeira rodada; nunca, na partida decisiva. / / / / / O pênalti esperdiçado por Rogério, do Corinthians, foi um dos mais mal chutados da história do futebol. A bola subiu como num colossal tiro de meta. Nunca vi. / / / / / Voltando à Davis, os argentinos fizeram gato e sapato dos alemães. Foi um cinco a zero como raramente se vê num confronto de cinco partidas, em três dias. / / // / O Fla-Flu de domingo encheu o Maracanã. A renda chegou a R$ 621 mil, uma bolada, sem dúvida, considerando o preço do ingresso no Brasil. Pois bem, dessa nota preta, o Fluminense ficou com cerca de R$ 220 mil e o Flamengo, com R$ 147 mil. O grosso, foi pra onde? Direto pro cofrinho da Federação meus amigos: exatos R$ 263 mil. Que futebol é esse em que a parte do leão fica com quem não tem time, nem joga, não tem custo maior além de pagar (quando paga!) uma ninharia aos árbitros, a gandulas? E os clubes engolem tamanho absurdo, sem sequer chiar. É de estarrecer. / / / / / Ainda o Fla-Flu: em dado momento do jogo, o garoto Carlos Alberto, que sabe das coisas, deu drible no rival Felipe Melo, uma beleza de jogada individual. Foi uma centelha. Não sou capaz de descrever o drible, a menos que o visse e revisse, em câmera lenta, 10, 20 vezes. Aquilo é ilusionismo puro.
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