NA GRANDE ÁREA
Todo mundo está cansado de saber que campeonato estadual tem sido prejuízo certo. Sucede que os clubes não se entendem e, porque teimam em não se entender, acabam caindo na teia das federações. E tome de vermelho! E tome de perder dinheiro! Cada um mais empobrecido que o outro. Todos de pires na mão. Exemplo de um que vale por todos: o São Paulo faturou cerca de R$ 4 milhões no torneio Rio-São Paulo, ano passado. Este ano, leva menos de R$ 2 milhões. Trocou o regional por um estadual e se deu mal. No caso do São Paulo, foi forçado a trocar. Se dependesse dele próprio, teria optado pelo regional.
Honras aos clubes do Nordeste que decidiram jogar seu regional, mesmo sem contar com o beneplácito da CBF. E por que, diabos, a CBF é contra a copa regional? A razão é uma só: política. A CBF, tão insensível para com o clube, não pode contrariar a cartolagem das federações. Afinal, cada Onaireves é um voto certo pra eleger seu presidente.
Tudo bem, a gente entende que assim proceda o presidente da CBF. Como entende os Onaireves da vida. Eles se infiltram no vácuo dos clubes. Todos eles sabem tirar partido da desunião dos clubes cujo lema suicida é: cada um por si e a federação por nenhum deles.
No entanto, seria tão fácil mudar as coisas.
No dia em que os clubes quisessem, ninguém os deteria. Eles são a fonte primeira do poder esportivo. Por que, então, não se juntam os clubes numa liga, como ocorre na Europa? Lá, quem manda no futebol é a liga. Na Inglaterra, na Itália, na Espanha, seja onde for, a federação é apenas um instrumento secundário de poder. Necessária, sem dúvida, mas nunca, preponderante. A verdadeira dona da bola tem que ser a liga. O meu espanto é ver que, no Brasil, o clube acabou refém da federação. A criatura engoliu o criador. Não é o fim?
Sei que o leitor deve achar esse assunto uma chatice completa. É mesmo. Lamento pelo enfado que possa causar a uma classe de torcedor que gosta, mesmo, é de bola rolando. Quem não gosta? Acontece, amigos, que é meu dever por o dedo na ferida. É justamente, por aí, caríssimo torcedor, que começa a desmontar seu grande sonho, que é o clube, a camisa, o time, a paixão primordial de cada um de nós.
A equação é simples: clube fraco, federação forte, futebol fraco. Por que, então, a precedência tem que ser da federação? Alguém torce pelo Onaireves? Alguém torce pelo Caixa DÁgua? Qual é a cor da camisa deles? Federação tem time? Federação tem hino?
Rápidas e rasteiras
Diversos amigos me falam, extasiados, de dois gols que Kaká marcou, nas duas últimas partidas do São Paulo. Azar o meu que não vi nenhum dos dois. Mas, vou ver. Salve o videoteipe que, certamente, me será fiel, ao contrário do que costumava dizer o Nelson Rodrigues, pra quem o teipe era burro, sobretudo, se testemunhasse contra o Fluminense. / // / / Um dos meus fracos na vida é dicionário; dicionário e enciclopédia. Acabo de ganhar o Houaiss de sinônimos e antônimos, presente de Chico Mello Franco, bam-bam-bam do Instituto Antônio Houaiss. Gratíssimo. / / / / / Não são poucos os e-mails sobre Giba. Uns condenam, outros apóiam minha atitude, deplorando a divulgação do alegado doping do jogador. Digo alegado porque, não tendo qualquer influência no rendimento físico do atleta, a maconha não pode ser taxada como doping. A erva deve ser combatida por outras razões; nunca, porém, por ser comparada à EPO, às anfetaminas ou aos anabolizantes. Ainda sobre a polêmica; a maioria esmagadora subscreve a minha posição. Tanto melhor. / / / / / Mais um árbitro, mais um catão contra o drible. O energúmeno teria recriminado Robinho por driblar demais, desfeiteando o adversário.
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