NA GRANDE ÁREA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 2003
Armando Nogueira 
DRIBLE E FINTA
O leitor José Saad me pergunta qual a diferença entre finta e drible. ''Peço que me esclareça acentua ele porque o Aurélio e o Houaiss consideram os dois sinônimos.''
Meu bom Saad, você não é o primeiro a levantar a questão. Há dias, um jovem repórter também quis saber porque escrevi sobre os dois artifícios como se não fossem a mesma coisa. De fato, drible e finta são afins, mas cada um tem sua própria natureza. Ambos são manifestações de astúcia. O drible é uma manobra que o jogador executa, usando a bola como elemento ativo da trama. O driblador ultrapassa adversário direto, manejando (devia ser pedejando...) a bola, em contato físico com a dita cuja. Na finta, pelo contrário, o jogador não toca na bola. Quem atua é o corpo. É puro jogo de pernas e/ou de cintura. O jogador mantém a bola a seu alcance, em movimento ou não, mas sem triscar nela.
Vamos recordar o solo magistal de Robinho.
Quando Robinho começa a pedalar, em alta velocidade, defesa a dentro, em nenhum momento, ele toca na bola. Por isso, em crônica recente, eu descrevi a ação, imaginando o corpo como sendo o rastro da bola. O corpo, em ação, é uma espécie de caudatário da bola. Segue-a como a sombra que segue a luz.
Revendo o lance, no teipe, o leitor observará que só na pedalada final é que o pé de Robinho vai tocar na bola. É aí que se dá o instante do drible. O drible que provoca o pênalti de Rogério. O drible que culmina uma sucessão de assombrosas fintas. Daí, eu ter dito que os dois ardís não se excluem, embora sejam autônomos.
No outro lance diabólico de Robinho, origem do gol de Léo, o garoto inventa um gesto, fulminante, que deixa Kleber e Vampeta literalmente à deriva. A meia-volta que Robinho dá é a demonstração mais espetacular do que seja uma finta. Ele só tocaria na bola no lance seguinte, por sinal, um passe com afeto pra jogada de Leo.
E já que o leitor Saad fala de dicionários em seu e-mail, quem sabe, as duas rubricas poderiam ser assim definidas: no drible, a bola é objeto direto; na finta, objeto indireto...
SANGUE NOVO
Bati um papo com os dois Presidentes recém-eleitos de Flamengo e Botafogo. Hélio Ferrraz e Bebeto de Freitas assumem o poder talvez no momento mais delicado, administrativamente, na história das duas instituições. Crise das brabas, amigo.
Depois de alguns anos tentando, o Botafogo finalmente conseguiu a façanha de ser rebaixado para a segunda divisão do futebol nacional. Resultado de muita incompetência fora e dentro das quatro linhas. O Flamengo segue o mesmo caminho. Pelo segundo ano consecutivo, o time rubro-negro escapa da degola ali, no último suspiro.
O discurso dos jovens dirigentes é muito parecido. A palavra-chave das duas gestões, tudo indica, será austeridade. A grave crise financeira que assola Flamengo e Botafogo precisa ser diagnosticada e controlada.
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Colaborou Andréa Escobar
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