BOLA VAI, BOLA VEM

Pra andar, Robinho tem duas pernas. Pra correr, também. Como qualquer mortal. Quando ensaia um drible, uma finta, porém, as duas pernas de Robinho se multiplicam: viram dez, viram vinte, viram trinta, viram, sei lá eu quantas. O corinthiano Rogério também não sabe. Pensou que sabia. Começou a apurar, perdeu a conta. Perdeu o senso e jogou pro alto a tabuada e tudo mais.
No solo que precedeu o gol de Leo, Robinho perpetrou (o verbo é mesmo perpetrar) uma finta de rara leveza em dois defensores do Corinthians. Um relâmpago de intuição que deixou os dois sem prumo. Finta e drible, ardilosa conjunção de ousadia e destreza. Mímica e astúcia. Num, a bola é extensão do próprio corpo; no outro, o corpo é o rastro da bola. Um como o outro aturdem o instante. Poesia em movimento.
Noutro solo, no meio do jogo, Robinho roça a bola, sensualmente com a ponta do pé (quase uma bolina). Assombroso. Tem razão o poeta, ao dizer que a beleza nasce do espanto.
Bola vai/ bola vem/ drible de craque/ não mata ninguém/. Bola vai, bola vem/ finta de craque/ não vem que não tem.
O DEDO DA PROVIDÊNCIA?
O time do Santos não venceu o jogo do título apenas no campo. Durante a semana, como todos viram, rolou uma guerra psicológica. Começou com aquela bronca postiça, em que os jogadores denunciavam um pretenso racismo de Diego. Acompanhei atentamente o desenrolar da catimba. Que, pra variar, tinha a ampla acolhida na mídia simpática ao Corinthians. O Santos, porém, ficou na dele. Leão segurou as pontas, não permitindo que a gurizada entrasse na onda.
O clima parecia meio envenenado. Daí, eu admitir que a contusão de Diego, no primeiro minuto do jogo, possa ter sido uma jogada da Providência Divina. Diego estava jurado por alguns jogadores do Corinthians e, embora eu saiba que Parreira tem pulso forte, ainda assim, nada me garante que Diego, em campo, estivesse a salvo de uma represália. Ninguém sabe o mal que se esconde no coração de um homem.
PISADA NA BOLA
Não vai ser fácil alguém me convencer de que a escalação de Diego não foi uma precipitação do comando técnico e médico do Santos. A decisão do vestiário poderia ter causado um grande dano à equipe.
Pelas circunstâncias em que se deu o estiramento muscular, não há como negar que alguém pisou na bola. É possível que Diego tenha feito um teste de resistência muscular mas se fez, não deve ter sido pra valer. Certamente, Diego não deu piques de explosão. Do contrário, não teria ido além da sala de aquecimento.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Justíssimo o entusiasmo de todos pelo que jogou, na finalíssima, o time do Santos. Mas ninguém pode esquecer que, depois de Robinho, a sensação da partida foi o goleiro Fábio Costa. Logo, o Corinthians não deixou de ser um páreo indigesto. Se Fabio Costa não estivesse com a cachorra, a história poderia ter sido diferente.
- Leão fica ou vai embora da Vila? Querer renovar, bem que o Santos está querendo e muito. Acontece, amigos, que há outro grande clube no rastro de Leão. Perguntem só ao presidente Contursi, do Palmeiras? O homem já vem cercando Leão, há duas semanas. Leão comandaria todas as divisões palmeirenses. O técnico ainda não abriu a guarda, mas se topar o convite do Palmeiras, vai querer levar um ex-jogador, gente famosa, pra trabalhar com ele.

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