Diego ou Robinho?

Perguntei ao Júnior e ao Rivelino: se tivessem que escolher, entre Diego e Robinho, com qual dos dois eles ficariam? Ambos, sem hesitação, responderam preferir Robinho. Quase caí das nuvens. É que quando propus a questão, estava certo de que o preferido dos dois seria Diego. A resposta me pegou tão de mau jeito que até esqueci de perguntar porque o pendor por Robinho.
Acho que os dois jovens jogadores do Santos têm uma inegável pinta de craque. O Robinho, no estilo, é brasileríssimo. Dribla e finta como dribla e finta o nosso bem-amado peladeiro. No jogo de cintura, Robinho é capaz de descadeirar, de uma só vez, uma defesa inteira. O guri tem a mobilidade do mercúrio. Bons ventos o levem.
Diego é um menino de 17 anos, mas desde já, impressiona pela maioridade de seu futebol. Ele tem revelado uma visão de jogo pouco comum nos adolescentes. A impressão que me dá é que a bola de Diego é anterior a ele mesmo. No toque, no passe, no equilíbrio, no controle da bola, na cabeça erguida de cobra d'água, em tais e tantas virtudes, entrevejo laivos de grandes armadores do passado.
Não citarei nomes pra evitar que desabem no meu computador perguntas irritadas do gênero: quer dizer, então, que o senhor considera Diego o Zizinho da nova geração? Aí, eu vou ter que explicar que não é bem assim, que não foi isso que eu quis dizer. E pra falar a verdade, eu tenho um certo tédio à controvérsia.
Diego ainda tem muito que aprender dos mestres, ali no grande círculo, onde tudo principia na esfera da criação ofensiva: cintilações de Zizinho, de Jair da Rosa Pinto, de Didi, de Gérson, de Ademir da Guia. Diego ainda exagera na retenção da bola. Coisas da idade: o menino vidrado no seu brinquedinho de estimação. O tempo, certamente, há de saber moderar tamanho apego.
Uma coisa eu arrisco dizer: se a carruagem dele não descarrilar, em pouco tempo, Diego há de ser o organizador de jogo que há muito tempo não se vê por aqui. Sabe aquele meia-atacante de olhar absoluto que tem o dom de ver tudo antes de todos? É por aí.
Júnior e Rivelino me surpreendem porque os dois passaram os melhores anos da carreira, pregando seu verbo, justamente naquele nobilíssimo departamento do campo, onde começa a florescer o futebol de Diego. Então, eu pergunto: entre Robinho e Diego, qual deles tem parentesco com Júnior e Rivelino?
Enfim, na vida como no futebol, gosto não se discute. Honras ao Santos que não precisa escolher e, por isso, tem sido duplamente feliz.
O cartão infeliz
Na finalíssima, domingo que vem, o Santos jogará sem Alberto, atacante de longa estrada que assumiu o espírito de uma equipe em que todo mundo combate, o tempo todo. Alberto não é do tipo que se planta lá na frente e de lá não sai, à espera de uma bola providencial.
No time de Leão, Alberto cumpre diversas funções: abre alas pra penetração súbita de um colega ele é o pivô que sabe jogar sem bola; é o artilheiro que se desloca, a todo instante, pra receber um lançamento de meio-gol.
Alberto fará falta, na decisão. É bom que se diga, contudo, que o cartão amarelo que o afasta do próximo jogo foi mal aplicado. O árbitro Pereirão cometeu erro de avaliação, achando que o atacante fingiu ter sido derrubado pelo goleiro Doni. Faltou discernimento ao árbitro.
O ''mea-culpa''
O Timão está cuspindo fogo. Pela voz do lateral Rogério, a tropa toda está fazendo autocrítica, a toda hora: o primeiro jogo final foi um grande vexame. O time do Corinthians não se empenhou como devia. Não teve a metade da obstinação do Santos. Deixou o jogo correr frouxo.
A palavra de ordem, agora, é ensopar a camisa. É suar a alma, da cabeça aos pés. É fazer das vísceras o próprio coração.

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