Santos e Fluminense são as duas sensações das quartas-de-finais. Ambos inverteram a equação de seus respectivos mata-matas, precisamente, quando o pêndulo do sucesso se inclinava a favor do São Paulo e do São Caetano, então, favoritos graças ao notável aproveitamento dos dois no campeonato. Hoje e amanhã, novas emoções nos aguardam. Tanto melhor.
Nos dois jogos, o que pesou, a meu ver, foi uma virtude quase sempre irresistível: a obstinação. O obstinado não se rende a qualquer força imperativa. Pelo contrário, quanto maior o desafio, maior a tenacidade, maior a firmeza de ânimo. Em uma palavra, venceu a humildade, prodigioso estado de espírito da ''criatura que sabe que não é santo''. Nem chegaria a dizer que São Paulo e São Caetano cometeram o pecado da soberba. Direi, tão somente, que, talvez, os dois não esperassem de seus rivais tão exuberante dose de abnegação.
Conheço o Fluminense, não é de hoje. Seu maior e mais ilustre torcedor, Nelson Rodrigues, passou a vida inteira, pregando a humildade como o grande trunfo tricolor. Pra ele, o time do Fluminense se dá melhor no futebol, encarnando São Francisco de Assis: em vez de chuteiras, míseras sandálias. Humildade, sim, mas que não pareça piedade, nem, muito menos, desesperança.
O papel de 'timinho' sempre rendeu graças ao Fluminense. Rendeu-lhe até mesmo títulos. Já o São Caetano, cristão novo, certamente desconhecia a face dissimulada do Fluminense. Por isso, deu-se mal. Quando abriu os olhos, o coitadinho já lhe tinha espetado na garganta três espinhos de difícil remoção, hoje, em seu próprio campo. Difícil, mas não impossível.
O Santos, pelo contrário, já entrou na luta, falando grosso. É a cara do técnico Leão. Você ouve falar o Robinho, o Diego, o Alex (bom e duro zagueiro!), ninguém pisa em ovos. ''Vamos ganhar!'' E não é que ganharam? A garotada jogou o fino, com uma coragem maior ainda que a própria obstinação. Coragem sem arrogância, sem fanatismo. Coragem com lucidez, que é a mais admirada forma de destemor.
Agora, invertem-se os termos da relação. Favoritos passam a ser os dois que cometeram a audácia de tentar quebrar e como quebraram! a castanha dos dois preferidos da lógica.
Em Porto Alegre, o Juventude jogou com o regulamento na mão. Testou sua defesa, na qual despontou, esplêndido, mais uma vez, o goleiro Diego. Defendeu três bolas magistrais. Em Caxias do Sul, hoje, a missão do Grêmio deverá ser mais árdua, ainda.
Risonha e franca é a situação do Corinthians. Por mais que se diga que o futebol é uma caixinha de espantos, não há como imaginar a repetição, às avessas, da catástrofe de Belo Horizonte. Está, virtualmente, classificado o Corinthians.
Rápidas e rasteiras
O economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo é o candidato da oposição à presidência do Palmeiras. Um cavalheiro, além de ter sido o homem que concebeu a parceria com a Parmalat, um achado gerencial que tantos títulos daria ao clube de meu bom amigo Joelmir Betting. Infelizmente, a aliança gorou nas mãos de Mustafá Contursi. Resumo da sucessão: Belluzzo é a co-gestão, Contursi, a congestão. / / / / / O Fortaleza fez com o Jundiaí o que o Corinthians fez com o Atlético Mineiro: pespegou-lhe um tranco de meia-dúzia. Como finalista da Série B, o Fortaleza já está, forçosamente, na Primeira, ano que vem. O Fagner, que já andava de crista empinada com o seu Fluminense, agora, redobra seu dó de peito pela bela proeza do Fortaleza (com direito a rima). / / / / / Se não for querer muito, espero ver, nos jogos de hoje e no de amanhã, instantes iguais ou, pelo menos, semelhantes aos dois passes de Romário; ao prodigioso calcanhar de Deivid, no gol de Gil; à trama do Santos, no gol de Diego; o golaço de Robinho; à castanha de Deivid, de lá do meio da rua; às três espalmadas do goleiro Diego, do Juventude; o gol de Kaká, de canhota, em fulminante corrida; à série de defesas monumentais do goleiro Kleber, do Flu.

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