NA GRANDE ÁREA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de outubro de 2002
Armando Nogueira 
O sufoco do Palmeiras
Nas rodas que frequento, não há uma só voz que acredite em rebaixamento, se, por acaso, forem despachados dois ou três times dos chamados grandes. No momento, a perigo, além do Palmeiras, estão o Flamengo, o Vasco e o Botafogo, pra citar velhas e poderosas cobras criadas do futebol brasileiro. Os três andam perto de 50% de chance de despencar na Segundona.
Se, contudo, a vítima for uma só, entre os grandes, aí, todos admitem que não haverá virada de mesa. A queda de um bamba os cartolas toleram, mesmo que se trate do Palmeiras, de todos, o mais ameaçado. Embora tenha voltado a respirar, ainda assim, a situação do Palmeiras é muito crítica. Basta dar uma olhada no aproveitamento das equipes da rabeira.
Na tabela de colocação pura e simples, o time de Levir Culpi está no 23º lugar, mas na classificação por aproveitamento, ele aparece um andar abaixo: é o 24º colocado. O rendimento do Palmeiras é de 31,3%, dois abaixo do Bahia, que está com 33,3% e tem um jogo a menos. Se é certo que o aproveitamento do Palmeiras é ligeiramente melhor que o do Goiás e o do Paysandu, não deixa de ser inquietante pro time paulista que o Goiás tenha um jogo a menos e o Paysandu, dois jogos a menos.
Com bola e tudo
Tranco legal levou a bancada da bola. Pelo menos seis para-cartolas foram cassados pelos eleitores. Viva a cidadania, meus amigos. O povo do Rio fez com Eurico Miranda o que a Câmara Federal recusou-se a fazer, embora tivesse motivos de sobra para cassar-lhe o mandato. A Eurico Miranda resta, ainda, o mandato de presidente do Vasco da Gama que exerce em causa própria e, por isso mesmo, não será por muito mais.
Eurico parece jurado pela torcida do Vasco que, iludida, chegou a elegê-lo duas vezes, com votações maciças e que, agora, acaba de mandá-lo plantar batatas. Não há outra interpretação pra derrota política do cartola: a arquibancada vascaína falou, claramente, pela boca da urna, que cansou de ser representada por alguém que não tem espírito público. No mesmo embalo, o vasto colégio eleitoral de São Januário reconduz à Assembléia Legislativa, com expressiva votação, Roberto Dinamite, o grande ídolo do clube, a quem o cartola destratou, expulsando-o da tribuna de honra do estádio do Vasco.
Pra felicidade geral do povo carioca, a Suderj informa: Substituição do time do Rio: Sai Eurico Miranda, entra Denise Frossard! Craque das melhores virtudes republicanas e que joga um bolão.
Pernambucano de fé
Leio, com grande alegria, um artigo do jornal francês 'L'Équipe' sobre o pernambucano Juninho, que joga no time do Lyon. Vale a pena transcrever, na íntegra, parte do texto: ''Juninho já fala fluentemente o francês, prova de sua vontade de adaptação. Sua influência técnica e tática sobre os companheiros é marcante. Seus passes precisos, usando as duas faces do pé chegam a deslumbrar. O ilustre membro da confraria brasileira do Lyon tem, no plano humano, a envergadura de um Raí. É um cavalheiro. Pra dar uma idéia do grau da elegância de Juninho, quando é substituído, apesar do frio cortante, ele tira a luva pra apertar a mão do colega. Graças à sua técnica prodigiosa e seus chutes de bola parada, Juninho é, hoje, o homem forte do futebol francês.''
Em tempo: Juninho era o grande ídolo do Vasco. Craque indiscutível. Eu tinha um prazer enorme de vê-lo jogar no time vascaíno. Em campo, lembrava muito a figura singular do saudoso Maneca, jogador magnífico do Expresso da Vitória, a quem admirei como craque e como cidadão. Maneca era o fino, dentro e fora de campo.
Pois só pra retomar o fio da meada, tecido linhas acima, Juninho, patrimônio técnico e sentimental do clube, saiu do Vasco, descontente com o estilo truculento de Eurico Miranda.


