Mudando de turma

Sei que ainda é cedo, mas já há muita gente boa assustada com o andar da carruagem. Vasco, Palmeiras e Botafogo correm sério risco de mudar de turma. E embora esteja abaixo dos outros dois, ainda assim, sou capaz de apostar que o Palmeiras tem mais chance de salvação do que possa fazer crer sua aflitiva posição de fecha-raia. O time terá outra cara com a volta de Zinho, de Pedrinho e de Arce. Não falo de Lopes por uma simples razão: bom de bola ele é, mas, pelo que dizem, a cabeça não ajuda nada.
O Vasco e o Botafogo simplesmente estão mal servidos de jogador. Ambos ainda têm muito que penar neste campeonato. São dois clubes liderados por cartolas da mais discutível extração: o do Botafogo é um zero à esquerda; o do Vasco, pelo contrário, quanto mais zeros á direita, melhor pra ele.
Culto da personalidade
A comissão técnica da Fifa concluiu seus estudos sobre o Mundial de 2002, com uma observação sobre a seleção campeã do mundo: o Brasil ganhou a Copa, graças ao talento individual de seus jogadores. Pois por aqui, o que se vê e se ouve é que a conquista brasileira é obra do treinador. Sem Scolari, o Brasil teria perdido a Copa. Vivemos, nesse pós-Copa, o delírio do culto à personalidade do técnico.
Venho de muitos mundiais. Vi, em 58, a conquista ser atribuída ao brilho da equipe. Quatro anos, depois só se falava da genialidade de Garrincha. Feola, em 58, Aimoré, em 62, apareciam, em segundo plano, tal como ocorreria, em 70. O mérito foi repartido entre craques, com Pelé em primeiríssimo plano. De Zagallo, o mais que a imprensa dizia era que pegou carona no talento de super-craques.
Parreira, por seu estilo ''low-profile'', não badalou seu trabalho. Agora, em 2002, a estrela da Copa não é Rivaldo, nem os dois Ronaldinhos. O dono da bola é Luiz Felipe Scolari, o técnico que brinca nas 11.
Em que tempos, em que costumes nós vivemos.
Liderança gaúcha
O Campeonato Brasileiro, visto por Estado, mudou um pouco de feição: semana passada, o Estado que liderava era o Paraná, vindo o Rio Grande do Sul, em segundo lugar. Agora, a ordem é a seguinte: 1º) Rio Grande do Sul; 2º) São Paulo; 3º) Minas Gerais; 4º) Paraná; 5º) Santa Catarina; 6º) Bahia; 7º) Distrito Federal; 8º) Rio; 9º) Goiás; 10º) Pará.
A classificação não leva em conta jogos entre equipes do mesmo Estado.
O Flu em S.Paulo
Recebo um belo presente: ''100 anos de Glória''. É um album luxuoso, com a história ilustrada do Fluminense Football Club. Pra quem cuida de pesquisa, o livro é um tesouro. Por exemplo: fico sabendo que o Fluminense foi o primeiro time a sair do Rio pra jogar em São Paulo. Vejam as anotações de Oscar Cox: ''O primeiro team do Rio que foi jogar em S.Paulo partiu no noturno de 18 de outubro de 1901 (sexta-feira). Jogaram-se 2 matches nos dias 19 e 20, ambos contra o São Paulo Scratch Team, no campo do São Paulo Athletic Club. Todas as despesas de viagem e hotel foram por conta dos próprios jogadores. Primeiro jogo, 2 a 2, o segundo, 0 a 0.''

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