NA GRANDE ÁREA
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Armando Nogueira 
Salve a gangorra!
O Campeonato Brasileiro é um tal de sobe-desce; é um tal de vai-não-vai; é um tal de puxa-encolhe; é um tal de perde-e-ganha; é um tal de cai-não-cai; é um tal de vira-e-mexe; é um tal de tal-e-qual. Alvoroçado vai-e-vem. Imensa gangorra que nos deixa perplexos. Ninguém sabe direito quem-é-quem.
O São Paulo desonera justamente quando entra no time um maestro, Ricardinho. Dá pra explicar? A harmonia que eu esperava ver no time do São Paulo, tenho visto no do Gama: toque de bola eficiente e vistoso. A equipe faz a bola rolar, de pé em pé, como se a idéia fosse dar olé. Não é. É senso coletivo, é esmero técnico e tático. Dá gosto ver, mas, também, dá uma certa pena que um time tão afinado seja vítima de arbitragens madrastas.
Outro que surpreende é o time do Juventude. Numa terra secularmente dividida entre duas torcidas fanáticas, o futebol gaúcho, agora, anda falando mais grosso com o Juventude, líder do campeonato sem contestação. Caxias do Sul desbanca Porto Alegre.
O Atlético Paranaense é fogoso, tem futebol pra qualquer tipo de jogo, mas o outro Atlético não lhe deve nada, seja em harmonia, seja em desassombro. Ao fundo, o competente Geninho, que deixou o paranaense campeão do Brasil e já conseguiu dar corpo e alma a um Atlético Mineiro que ele pegou de crista baixa. O quarto da minha lista, mas nem por isso o último em méritos, é o São Caetano, com seu futebol implacável, consistente, de uma vivacidade admirável.
O resto se vira ao sabor dos ventos, brincando de joão-galamarte. O que não quer dizer que a competição esteja sendo melancólica. Tem sido até empolgante. É digno de realce o futebol de peito aberto que jogam todos os times. Dificilmente, se vê treinador recorrendo a um cabeça-de-bagre pra tentar garantir resultado. Pelo contrário. Nunca foi tão verdadeira a expressão buscar o jogo, tão usada pelos treinadores. Tanto é verdade que jamais, antes, tantos gols foram marcados nos acréscimos do cronômetro.
Salve a gangorra!
Pra sempre, Sampras!
Soberba, nada menos que soberba, a exibição de Pete Sampras, na final do Aberto dos Estados Unidos. Diante dele, o também notável André Agassi. O que deveria ter sido um confronto gigantesco, na verdade, acabou sendo uma récita de um grande artista. Sampras impôs-se, imperial, em todos os quesitos, até mesmo, no ponto forte de Agassi, que é o fundo de quadra. O mestre do saque-voleio trocou bolas profundas, paralelas, cruzadas, iluminando a quadra com golpes principescos. Bem disse alguém, na festa de encerramento: o rei não está morto. Eu era um dos que pensavam que Sampras estava no ocaso. Coisa nenhuma. Com Sampras, triunfal, perdura, por algum tempo, ainda, o estilo de tênis que a mim mais me agrada: o saque-voleio.
Pra sempre, Sampras!
Rio-São Paulo, a perigo
A hegemonia Rio-São Paulo, no futebol, nunca esteve tão por baixo. É o que demonstra balanço feito pelo professor Lauro Araújo (Sportv, O Dia), sobre a performance dos 10 estados que disputam o Campeonato Brasileiro. O estudo considera os blocos, sem contar os jogos entre equipes do mesmo Estado: na ponta, com três equipes, vem o Paraná e seu respeitável aproveitamento de 56,5%; em segundo lugar, Minas Gerais, com apenas dois times, já alcança o percentual de 54,9; em terceiro lugar, está o Rio Grande do Sul: três equipes, puxadas, naturalmente, pelo Juventude, com 54,7%; São Paulo vem em quarto lugar, com 51,9%, mas é bom lembrar que o futebol paulista entra na dança com oito equipes. Convenhamos: é muito time pra pouco rendimento.
Agora, vejam como é pífia a trajetória do futebol carioca: com quatro equipes, o Rio fica em sexto lugar, abaixo do Distrito Federal que soma 40,7% contra 37,5% que é a média de aproveitamento de legendas como Fla, Flu, Vasco e Botafogo.
Os demais estados figuram assim, no levantamento: Bahia, dois representantes, sétimo lugar, com 35,3%, seguido de Goiás, um único time, com 25%; depois, em nono lugar, Santa Catarina, com 23,8% (Figueirense) e, em último lugar, o Estado do Pará, com apenas 16,7%, correspondente à atuação do Paysandu.


