NA GRANDE ÁREA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2002
Armando Nogueira 
O Paysandu está pegando um Ita no Norte e desembarca com toda corda no Campeonato Brasileiro. É tricampeão dentro de casa, é campeão do Norte e acaba de ser pra sempre consagrado na Copa dos Campeões. Pra mim que também sou daquelas bandas, o Paysandu é bem mais que um bom time de futebol. Se o Flamengo é um estado d'alma, o Paysandu é a própria alma paraense. É pimenta de cheiro, é o Círio de Nazaré, é tacacá com tucupi, é Eneida de Morais, tia de Fafá, mãe de Otávio, campeão botafoguense. É palmito de bacaba, é Billy Blanco, é açaí, é Jayme Ovalle, inventor do Azulão, tom profundo do azul-celeste, campeão dos campeões. E sempre será também Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, canto e contra-canto ao violão de Sebastião Tapajós, fluente como o rio que lhe dá o sobrenome.
O Paysandu é feijão de Santarém, é farinha de mandioca, é jambu, é manga-espada, é maniçoba que Raimundo Nogueira servia, declamando Manuel Bandeira:
''Belém do Pará, onde as avenidas se chamam Estradas. / Terra da castanha / Terra da borracha / Terra de biribá bacuri sapoti / Nortista gostosa / Eu te quero bem. / Nunca mais me esquecerei / Das velas encarnadas, Verdes, Azuis, da Doca de Ver-o-Peso / Nunca mais / E foi pra me consolar mais tarde / Que inventei esta cantiga: Bembelelém, Viva Belém! Nortista Gostosa / Eu te quero bem.''
Paysandu, permita-me parafrasear Caymmi, cantando teu troféu de imensa glória: Agora, que vens para cá/ Um conselho que mãe sempre dá/ Meu filho, jogue direito que é pra Deus te ajudar.
As Fiorentinas de cá
Lágrimas de desolação no futebol italiano: a Fiorentina faliu, não existe mais. Má gestão por incompetência, má gestão por má fé e lá se vai da nossa fantasia um dos clubes mais queridos da Itália, nos anos 50/60. Em 58, Julinho era um dos ídolos de Florença e foi por ele, Júlio Botelho, que me engracei pela Fiorentina.
Qual a diferença entre a Fiorentina e os maiorais do futebol brasileiro? Uma só: na Itália, um clube que não honra suas dívidas, fecha as portas, sumariamente, a justiça indisponibiliza os bens dos cartolas e os culpados acabam na cadeia. Aqui, o clube engabela o Fisco, não repassa um níquel de encargos sociais à previdência, atrasa salário de jogador, dá beiço no armazém da esquina e todo mundo fica feliz da vida porque o Brasil é pentacampeão do mundo.
Enfim, como somos um país das arábias, quem sabe não estamos descobrindo um jeito de voltar aos velhos tempos em que se jogava por amor ao clube. Como era romântico o amadorismo! O jogador trazia de casa as chuteiras, por ele engraxadas e por ele compradas do próprio bolso. Aliás, o Romário já andou ensaiando o modelo: no Flamengo e no Vasco, ele até exagerou, bancando uma boa parcela da folha salarial. Pagava pra jogar. Vai ver, ele vai repassar pro Fluminense a mesada do Beto...
Além de eliminar da paixão clubística essa praga chamada dinheiro, o amadorismo tem outra vantagem: jogador não precisa beijar a camisa pra demonstrar seu amor pelo clube.
Rápidas e rasteiras
O agente de Ronaldo, Alexandre Martins, abre o jogo: ''Ronaldo pretende deixar o Inter porque quer voltar a ser feliz. Felicidade, pelo visto, é o nome da nova moeda corrente no mercado do futebol. Ao par com o euro. / / / / / Impressionante: no torneio de tênis de Cincinatti, em disputa esta semana, a Argentina largou com seis jogadores. É a armada argentina que chega, a todo vapor. Dos 100 tenistas da elite da ATP, 10 são argentinos. E cada um mais talentoso que o outro. / / / / / Zinho está de volta ao Palmeiras. É flecha na mosca. Luxemburgo está certíssimo, dizendo que ter Zinho é ter um segundo técnico na equipe. Com uma vantagem: é um comandante em pleno campo, na linha de frente.


