Seis times estão classificados. Seis times se engalfinham por duas vagas. Seis times não fedem, nem cheiram. Seis times já estão indo pro fundo do poço. No Dicionário de Símbolos, o seis pode significar tanto o caminho do bem como o caminho do mal.
Numa boa, os já conhecidos Corinthians, Palmeiras, Santos, Portuguesa, Coritiba e Sport Recife. Com a cabeça a prêmio, outros seis: América-RN, Bragantino, Goiás, Paraná, América-MG e Juventude. Missa de réquiem por todos eles. Tem, ainda, a turma dos que não caem, nem vão pra cima. São os seis do seio de Abrahão, onde não existe nem dor, nem sofrimento, nem suspiros: Vitória, Atlético-PR, Botafogo, São Paulo, Ponte-Preta e Guarani. Esses ficarão levitando, até o ano que vem, na chamada noite precoce do limbo, pra onde a vida costuma atirar as coisas inúteis.
Por fim, o sexteto das esperanças vivas: Atlético-MG, Grêmio, Cruzeiro, Vasco, Flamengo e Inter. Eles estão aí apresentados na ordem de precedência matemática: Atlético-MG, com 58,4 por cento de chance; Grêmio, 44,6; Cruzeiro, 39,1; Vasco, 28,4; Flamengo, 20,9; Inter, 8,8. Hoje, vai haver um jogo de vida ou morte: Vasco x Grêmio. Se perde o Vasco, sua reserva cai horrores e sobe, automaticamente, a dos outros cinco. Se perde o Grêmio, idem, idem. Se houver empate, festa nas outras quatro freguesias. Sábado, voltam a arder as orelhas do Vasco. É contra o Palmeiras, em São Paulo.
Quarta-feira da próxima semana, aí, assim, volta a reinar o algarismo símbolo desse momento do campeonato: haverá, duas vezes seis, 12 jogos, cada um mais cabeludo que o outro. Nesse dia, o SEIS assume a sua face tempestuosa. É uma rodada com gosto de Apocalipse.
Pão, vinho e badalaçãoArmando Nogueira
Na quarta-feira
da próxima semana
haverá uma rodada
de 12 jogos com
gosto de Apocalipse
Seis pra lá,
seis pra cá

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