O prêmio individual nos torneios mundiais de vôlei é uma idéia infeliz do cartola mexicano Acosta (esse é outro que se perpetua no cargo). Atenta contra o princípio da coletividade que rege os jogos de grupo. Ainda bem que, no caso da seleção brasileira, o malefício é nulo porque os eleitos são os primeiros a repartir com os colegas o dinheiro do prêmio.
Em 2001, se não me engano, na Liga Mundial, Bernardinho, preocupado com a exacerbação da individualidade, recomendou à equipe que os premiados dividissem o cheque com os colegas. A idéia foi aplaudida por todos. No fim, fez-se o rachuncho, irmãmente.
Agora, no mundial, Bernardinho nem precisou tocar no assunto. Sua idéia já tinha frutificado. A iniciativa de contemplar os colegas veio dos próprios jogadores: Giovane e Escadinha, cada um deles ficou com metade do seu prêmio, tendo sido a outra metade, democraticamente, repartida com o elenco. O líbero ganhou 50 mil dólares e Giovane, outros 50. Cinquentinha foi rachada com o resto da equipe.
Bernardinho já tinha dado essa idéia, quando dirigia o feminino, nos anos 90. Na ocasião, levou um cordial chega-pra-lá das moças. Quem ganhou levou sozinha e as outras ficaram chupando o dedo. A propósito, não resisto à tentação de lembrar que Nelson Rodrigues dizia que certas mulheres gostam mais de dinheiro que de homem (e, também, que de...)
TERRA BOA, GENTE FINA
No último fim-de-semana, estive em Fortaleza que é, hoje, um bom pedaço do paraíso em que o turismo bem tocado está transformando o litoral do Nordeste. Terra boa, gente fina. Me lembrei de uma bela canção dos anos 50 em que Lauro Maia nos convidava ''a ver as praias bonitas do meu Ceará/ Onde nasceu a linda Iracema/ a virgem dos poemas/ dos lábios de mel.''
Comigo, numa palestra, Magic Paula e Roberto Dinamite. Debatemos a questão da responsabilidade social do esporte. Magic Paula deu um show de classe e competência. Cada resposta dela era uma cesta de três pontos.
O encontro foi idéia do clã Girão, uma família de empresários que cuida de seus negócios, sem descuidar da meninada. Clodomir e Luís Eduardo, pai e filho, tocam projetos sociais da maior envergadura. Garoto pobre, que gosta de jogar futebol, ganha bola, camisa, chuteira, campo, time, ganha tudo, porém, com uma condição: tem que estudar pra valer. O colégio também é bancado pelas empresas da dupla que investe 5% da lucratividade dos negócios em projetos de formação de cidadania.
UM GOL-CHAMPANHE
Os franceses, quando querem exaltar um gol usam uma expressão que diz tudo: gol-champanhe. Pois Alex fez ontem um gol-champanhe, na vitória de 5 a 2 contra o Fluminense. Contarei, com incontida alegria, que a coisa se deu assim: alguém centra uma bola alta, uma bola de difícil domínio. Alex está na área, certamente, à espera de coisa melhor. O espaço que tem é ínfimo. Ele está cercado de tricolores. Alex, ainda de costas, pressente a figura do goleiro que avançou pra fechar a passagem da bola. Alex fica sem ângulo de chute. Só lhe resta o que só a um craque pode restar: concluir a jogada, com um toque de veludo, inventando um ângulo morto. Um tenista diria que aquilo é um lob; um poeta diria que é um arco-íris. O certo é que a bola descreve uma trajetória celestial, indo morrer, cheia de vida, no fundo das redes tricolores.

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