O time do São Paulo, vou te contar... Ou nem preciso te contar porque tiveste, como eu, a sorte de ver o jogo com o Vasco da Gama, na quarta-feira? Quem assistiu à partida do Morumbi ganhou o dia, ganhou a noite, ganhou a semana. O time do São Paulo, depois de tomar um breve calor de 2 a 0, fez cinco gols e outros cinco teria feito não fosse o goleiro Fábio, um garotão de 22 anos, da respeitável estirpe do excelente Elton, por sua vez, grata reinvenção do mítico Barbosa.
Pra não me alongar, relembro apenas o seguinte: em menos de 10 minutos de jogo, o ataque sampaulino fez três jogadas primorosas, três passes curtos, finos, precisos, incisivos que só não deram em gol por obra e graça do goleiro vascaíno.
O jogo foi um concerto dividido em dois atos magistrais. No primeiro tempo, o Vasco empolgou, pela objetividade; no segundo, foi a vez do São Paulo deslumbrar. A partida lembrou um duelo, veemente. Ou, quem sabe, foi mesmo um dueto, magnífico.
Justiça seja feita, o time do Vasco da Gama só deu realce à vitória do São Paulo, em cuja equipe, por sinal, cairia como uma luva o futebol do meia-atacante Ramon, autor de dois lindos gols. Aliás, vendo jogar Ramon, dá pra afirmar que um dos fascínios do futebol é não discriminar ninguém pelo porte físico. Ramon, rima rica de mignon, joga um futebol do mais fino lavor. Benza-te Deus, rapaz!
Na Terceirona...
Pergunta-me Carlos Alberto Torres, o ''capita'' de 70, como é que me sinto, vendo o Botafogo despencar no abismo do rebaixamento. Respondo, singelamente, que, no chamado campo das desilusões alvinegras, eu já me sinto, há muito tempo, não na Segunda e sim na Terceira Divisão...
Na verdade, o time que for rebaixado cairá, mesmo, é pra Terceira. Na hierarquia do futebol, o Campeonato Brasileiro acaba sendo a própria Segundona. A Primeira Divisão, no duro, no duro, está, toda ela, pelas Europas. O que tem o futebol brasileiro de mais valioso, há muito tempo, joga em clubes italianos, espanhóis, franceses, alemães. É só repassar, de memória, o elenco brasileiro na Copa do Mundo. Onde é que estão jogando os dois Ronaldos, o Rivaldo, o Roberto Carlos, o Gilberto Silva e tantos outros menos votados, mas nem por isso, menos cotados como Amoroso, Serginho, os dois Juninhos, o França? Esses, sim, são a Primeira Divisão. Assim, sendo, o buraco botafoguense é mais embaixo...
O gol mais bonito
Faço parte de um grupo de jornalistas que vem escolhendo, regularmente, o gol mais bonito do mês, no Campeonato Brasileiro. É o chamado ''Gol Visa''! Acabo de indicar, em outubro, o gol de bicicleta do santista Alberto contra o Corinthians. Por sinal, foi esse o escolhido pelo júri. Os jurados são: Cláudio Carsughi, Orlando Duarte, Fiori Gigliotti e Ruy Carlos Osterman. Fora este pobre marquês de Xapuri, só tem bam-bam-bam. Dessa coleção de gols, surgirá o ''Gol Visa'' de todo o campeonato. Cada vencedor mensal está levando um cartão Visa, com um crédito de 20 mil reais. O vencedor do ano, levará 100 mil reais.
Meu velho e querido amigo Ricardo Gribel, presidente da empresa patrocinadora, é rubro-negro de quatro costados, mas, pelo visto, dificilmente verá contemplado um jogador do Flamengo na festa da premiação. Na Gávea, o mar não está pra peixe.
Por falar em Gribel, não pude estar presente ao lançamento do ''In Visa Veritas Bradesco'', um cartão, espécie de ''abre-te sésamo,'' pra quem aprecia vinho. Pena que eu não tenha podido ir. Um dos meus fracos na vida é um bom ''bordeaux'', ao jantar. Que o diga Renato Machado que, como eu, considera o vinho a única verdade líquida e certa deste mundo...

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