NA GRANDE ÁREA - Rondó de Murtosa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de setembro de 2002
Armando Nogueira 
Está ainda tudo tão fresquinho que não dá nem pra antecipar o destino de cada equipe no Campeonato Brasileiro. Mas, bem que se pode especular um pouquinho e afirmar que quem estiver acima de 50% da pontuação, com certeza tem muita chance de emplacar uma vaga entre os oito finalistas.
Por exemplo: em sete rodadas, o São Paulo, o Juventude e o Atlético Paranaense passam dos 70%; os dois primeiros, com 76.2 e o paranaense, com 72. Essas cifras, certamente, não asseguram a classificação de ninguém, mas não deixam de ser um sinal de que essas equipes estão no bom caminho. Times como Flamengo (28%), Palmeiras (27%) e Grêmio (28%), que sempre despontam já credenciados, estão abusando de jogar pontos pela janela. O Palmeiras chega ao pasmo de figurar entre os quatro do rebaixamento, ao lado do Paysandu, do Goiás e do Bahia. É claro que o sapeca tomado pelo Palmeiras tinha que dar no rondó de Murtosa: ''Cinco quer dizer penta/ mas perder de cinco/ ninguém aguenta!''
Mágico de futebol
O Rio de Janeiro, passadas sete rodadas, é a cara do Caixa D'Água. O Botafogo é o mais destacado, com 50%. Por quanto tempo? Ninguém, com um mínimo de bom senso, apostaria numa equipe sobre a qual o próprio treinador, o abrasivo Abel, confessava, depois da vitória de 1 a 0 no Gama: ''Meu time jogou tão mal que me deu vontade de chorar...'' O Fluminense, por sua vez, já amarga um 17º lugar, mesmo tendo feito o louvável esforço de contratar Romário, que, por si só, vale uma boa bilheteria, mas já não pesa tanto no rendimento da equipe.
Não adianta ter em campo um jogador como Romário se a bola nunca chega a seu alcance. A verdade é que o Fluminense não tem um passador de classe. E quanto ao Vasco, se é verdade que o clube acaba de contratar Petkovic, sem dúvida, um bom jogador, não é menos verdade que o moço costuma oscilar entre o vedetismo e a auto-flagelação.
Do Flamengo, que estertora na fronteira do rebaixamento, dá pra dizer que o time, agora, está nas mãos de um treinador extra-classe. Evaristo, que andou em rápido ostracismo, é um mestre do ofício. Homem financeiramente independente, Evaristo está na luta, movido pura e simplesmente, por amor à causa. Há dias, ele me confessava: ''Quando preencho uma ficha de hotel, na rubrica Profissão, eu escrevo, com orgulho: Técnico de Futebol.'' Se der jeito no time do Flamengo, pode escrever, na ficha do hotel: mágico de futebol.
Larri, número um...
O triunfo de Guga contra Marat Safin foi tão soberbo que já se pode dizer: Aleluia! O moço já está chegando, mais depressa do que se supunha, ao ponto de bala em que estava, quando parou pra fazer a cirurgia no quadril: a potência de saque já é a mesma, a bola voltou a ser pesada e precisa, tanto de direita como de esquerda e, sobretudo, ele reencontrou o fio de ouro da auto-confiança, preciosa virtude que o tênis preza muito mais que qualquer outro esporte individual.
Gostei de ouvir do próprio Guga que ele tem treinado, o quanto pode, pra recobrar o automatismo dos gestos. Aliás, tenho lido que Guga anda batendo bola com outros tenistas do circuito. Que bom! Na semana que antecedeu o US Open, ele treinou demoradamente com Leyton Hewitt. Nada mais proveitoso que passar uma hora na quadra, trocando bolas com o número 1 do mundo. Já era hora de Guga variar de sparring. Dizem as más línguas de Floripa que o técnico Larri Passos sempre evitou abrir o treinamento de Guga a outros parceiros. O preferido de Larri era ele próprio. Método de trabalho ou possessividade? Quem saberia dizer? As mesmas línguas vadias chegam a comentar que o bate-bola com Guga tem melhorado de tal forma o tênis de Larri que ele acaba sendo o número 1 no ranking de Camboriú...


