Parreira preferiu Kaká a Alex. Fez bem, fez mal? Gosto tanto de um quanto do outro. São dois jogadores de notável categoria. A rigor, nem deviam estar metidos nessa alternativa e, sim, escalados ambos. Bastava que o treinador procedesse com coerência, por sinal, uma qualidade que costuma distinguir profissionais da estirpe de Carlos Alberto Parreira.
Estranhamente, Parreira tem dado a Rivaldo um tratamento fora do comum. O fato de ter sido campeão do mundo não deve assegurar a Rivaldo lugar cativo na seleção. Por justiça, Rivaldo não podia nem ter sido convocado. No futebol, como em qualquer esporte coletivo o atleta é julgado pelo que está produzindo. O passado, recente ou longínquo, vale muito, mas, somente, fora de campo. Tapete vermelho, poltrona na tribuna de honra, tudo bem.
Sempre considerei Rivaldo um jogador extra-classe. No Palmeiras e, depois, no Barcelona, sempre me dava muito gosto vê-lo jogar. Na seleção, não era bem assim. Raramente, ele saía de uma partida, sem o crivo de uma boa e sonora vaia. Rolava nas arquibancadas um sentimento de rejeição ao seu ar dispersivo e individualista.
No mundial Coréia-Japão, Rivaldo apareceu bem mais solidário. De lá pra cá, porém, Rivaldo não tem feito outra coisa a não ser desentender-se com seus técnicos. Tem mais tempo de banco do que de bola. No mínimo, está fora de ritmo. Ora, o que mais se ouve dos técnicos é que, jogador inativo é carta fora do baralho.
Sinceramente, não acho justo que se crie a alternativa Alex-Kaká pra beneficiar um terceiro jogador que está sendo escalado pura e simplesmente pelo renome. Tal critério nada a ver, nem com a lógica, nem com a tradição do futebol.
É a segunda vez que a seleção caiu do céu nos pés de Rivaldo. Na primeira convocação de Parreira, já me surpreendeu. O craque já estava no banco do Milan. Estranhei. Uma fonte qualificada me assegurou, então, que Parreira tinha sido sensível a um apelo pessoal de Rivaldo que, naquele momento, vivia uma fase de baixo astral.
Enfim, será que a escalação de Rivaldo, feita assim, por medida provisória, fará bem ao espírito coletivo da seleção?
NUMA ILHA DESERTA
O campeonato entra em ponto morto. A seleção é o poder mais alto que se alevanta. Vai ter que jogar duas partidas, uma, contra o Peru e outra, contra o Uruguai. Pro desavisado que imagina que serão jogos amistosos, é bom explicar que já estamos nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. Agora, é assim, três anos antes, já começa uma nova Copa.
Agora que a seleção traz ao Brasil os astros que vivem e jogam na Europa, perguntei a uma bola brasileira, novinha em folha, linda, reluzente: Quem, da seleção, você levaria pra um fim-de-semana, a dois, numa ilha encantada? A resposta foi firme e instantânea: ''eu levaria o Ronaldinho o do Real Madri...''
E como minha gentil interlocutora estivesse tão solícita, arrisquei outra pergunta:
- ''E quem você NÃO levaria pra um fim-de-semana, numa ilha encantada?''
- ''O Emerson...''
Pedi que ela se justificasse. E ela, incisiva:
- ''Amigo, eu só gosto de quem gosta de mim...''
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