NA GRANDE ÁREA - Palmeiras e Botafogo
Jogo de alta voltagem, quarta-feira de noite, foi Palmeiras x Corinthians, 2 a 2, pelas semifinais do Paulista-2003. Se o Palmeiras disputar a Segunda Divisão com o mesmo arrojo que cimentou os dois últimos clássicos, notadamente, quando eliminou o São Caetano, pode apostar, caro leitor: ano que vem, o Palmeiras estará de volta à Divisão Especial, com todas as pompas de campeão. O time, se não é um primor de técnica, sabe ser competitivo.
Infelizmente, eu não diria o mesmo do Botafogo, o outro grande clube rebaixado. Ou o time alvinegro muda e muda muito, ou, então, vai acabar criando mofo no andar de baixo, podendo, até mesmo, descer mais um piso, um piso também chamado Terceirona.
Estou cansado de saber que o Botafogo vive as piores aflições financeiras. Bebeto encontrou o clube destroçado, materialmente, moralmente. O Botafogo foi saqueado, durante anos, por gestões indecorosas. Coisas até mais cabeludas do que se viu em sucessivas administrações do Flamengo. Coisas até mesmo mais condenáveis do que a a notória espoliação de que tem sido vítima o patrimônio do Vasco da Gama.
Não negaria um voto de esperança na gestão de Bebeto de Freitas. O torcedor alvinegro tem que ajudar Bebeto a carregar essa cruz, que não é nada leve. É o que se espera do time. O time é fraco, sem dúvida, mas o que agrava a clara fragilidade da equipe é a passividade. Uma equipe ou se impõe pela excelência técnica ou pela grandeza d'alma. O time do Botafogo, esse que tenho visto, simplesmente, não tem alma. Ou se tem, ninguém vê.
Três bons amigos
Três grandes personagens: Sérgio Porto, Vinícius de Morais e Antônio Maria. Um leitor me pergunta se os conheci, pessoalmente. Pra alegria minha, sempre estive muito perto dos três. Mais do Sérgio, meu vizinho da rua e de barraca, na praia de Copacabana. Jogávamos na mesma turma da Barão de Ipanema. A pelada era diária. Ia das 10 às 11. Ao meio-dia, tínhamos que nos mandar pro batente no jornal. Éramos ambos do JB.
O Sérgio Porto era um dos sujeitos mais tímidos que conheci. Mas, tinha suas artimanhas se o assunto fosse mulher bonita. Por exemplo: na praia, ele nos impingia um amigo granfino, um verdadeiro perna-de-pau, mesmo sabendo que o sujeito estragava a pelada. Azar o nosso. A jogada do Sérgio era garantir a presença da moça, ali, pertinho. Enquanto o marido chutava o vento, ele paquerava a madame.
O Antônio Maria foi meu companheiro na TV-Rio. Era um papo riquíssimo de humor, pontuado de maledicências, quase sempre deliciosas. Maria, como Sérgio, morreu moço.
Vinicius. Convivemos muito pouco. O poetinha, como todos os chamávamos, viajava muito. Vivia fazendo shows pelo mundo e, raramente, se demorava por aqui. Doce figura, admirável poeta. Se o leitor quiser saber tudo sobre Vinicius, pergunte ao Fernando Sabino. Como o Otto Lara e o Paulinho Mendes Campos, o Fernando vivia grudado ao Vinicius, pelas noites errantes de Copacabana, anos 50.
Há uma história famosa, contada pelo próprio Fernando Sabino. Certa vez, ele, Fernando, dava uma palestra no interior de São Paulo. A platéia era a moçada de uma faculdade. O ginásio do encontro lotadinho. Na hora das perguntas, um jovem pede que Fernando Sabino fale de suas relações com Vinicius.
- ''Olha, meu filho'' - responde o escritor, com o seu proverbial humor - ''eu tive com o Vinicius todo tipo de relações que se possa imaginar; só não tive as sexuais porque ele não quis...''
Rápidas e rasteiras
Petkovic chuta pro alto o contrato com o Vasco, vai embora pra China e o resto que se dane. É ou não é a cara do futebol do Rio? Romário não fez a mesma coisa com o Fluminense? / / / / / O time do São Paulo, que deu de cinco na Portuguesa Santista, teve momentos de Real Madrid, no requinte do toque de bola. / / / / / Kaká não é bom de bola, não; Kaká é um jogador excepcional. O passe de calcanhar pro terceiro gol do São Paulo na Portuguesa, aquele calcanhar, meus amigos, é o seguinte.





