O passe é uma excrescência! Abaixo, pois, o passe! E o passe foi extinto, mesmo, pra felicidade geral do futebol. Celebrou-se, então, o fim da escravidão. O jogador seria dono do seu nariz. Podia escolher, livremente, a nova camisa a defender. Nada mais justo, nada mais civilizado. Não é assim em qualquer profissão?
Sucede, amigo leitor, que a autonomia do jogador durou pouco. O dono da bola deixou de ser o clube e passou a ser o empresário. Quem manda no futebol, hoje, é o empresário, oficializado pela Fifa, com carteirinha e tudo. O agente Fifa é quem comanda o futebol brasileiro. Compra, vende, troca, empresta. É o senhor dos anéis. O clube, hoje, pelo menos no Brasil, é refém do empresário. Só pra dar uma idéia: a dupla Pita-Martins é dona de cerca de 120 jogadores, alguns jogando no exterior e a maioria, jogando no Brasil. Se um dia der a louca nos dois, a dupla fecha pelo menos uma dúzia de clubes (alguns deles da elite brasileira) que devem a eles os olhos da cara. Sem falar de controle que têm sobre times inteiros.
O jogador, por sua vez, livrou-se do passe mas não se livrou da tutela. Quando menos espera, é avisado de que, agora, vai jogar num timezinho da Segunda Divisão das Ilhas Faroe. O dinheiro é bom e a comissão melhor ainda. Então, lá vamos nós morrer de frio e de saudade nos cafundós do Cazaquistão.
Quem recebe uma carteirinha de Agente Fifa ganhou um cartório. Ser agente de jogador de futebol, em celeiros como Brasil e Argentina, é por a mão numa mina de ouro. Todos eles estão ricos e os clubes, que, mesmo na era do passe, já viviam na pindaíba, hoje, estão na penúria. Não discuto a competência profissional dos empresários. Questiono, apenas, que o fim do passe tenha gerado uma atividade que se superpõe aos próprios clubes, criando uma distorção na vida do futebol profissional. Não esquecer, nessa conversa, a figura do cartola. Claro que há os dirigentes idôneos; são decentes mas infelizmente são poucos. Os velhacos, maioria, conhecem o pulo (maroto) do gato e são sócios, por baixo do pano, de alguns agentes Fifa.
Direi, por fim, que empresar jogador de futebol é um negócio tão bom que até jogador, ainda em plena atividade, já tem o seu lote de jogadores de aluguel. Conflito de interesses? A rapaziada não quer nem saber se é certo ou errado, se é ou se deixa de ser eticamente correto jogador ser empresário de jogador. É o fim do mundo.
O novo carlito
O Botafogo está na pior: ficou fora do Brasileirão, não tem um bom time, não tem receita, não tem estádio, deve os olhos da cara, não tem parceiro empresarial. Tem, porém, um presidente, que vale a pena admirar. O ardor de Bebeto me lembra Carlito Rocha, o mítico presidente do clube nos anos 40.
Bebeto conversou, há dias, com a imprensa. Está cheio de planos, a curto, médio e longo prazo. Jura que vai tirar o Botafogo do buraco. Criou um clube-empresa, braço comercial do Botafogo de Futebol e Regatas. Está na luta pra ampliar e modernizar o estádio de Caio Martins. Quer vender camarotes e cadeiras especiais a torcedores vips. Ao mesmo tempo, não descuida da transparência e mandou fazer auditoria pra saber a quantas anda o sufoco administrativo do Botafogo.
Conheço Bebeto de Freitas faz tempo. Vejo-o como a derradeira chance que tem o Botafogo de reencontrar a luz de sua refulgente estrela. Um clube de futebol, mais que uma paixão é um ideal. Ninguém pode deixar morrer um ideal.
O Botafogo precisa e já da ajuda do torcedor alvinegro.
Rápidas e rasteiras
O jogador Nenê, revelação do basquete americano, ganhou cerca de 10 quilos de músculos. Sem contar que, pelo que ele está jogando, já assinou um contrato de US$ 9 milhões com o Denver Nuggets. Bola cheia! / / / / / Abílio Diniz, dono do supermercado Pão de Açúcar, acaba de construir, na sua fazenda, no interior paulista, uma pista de corrida igualzinha à de Interlagos. No complexo esportivo do famoso empresário, há também um campo de golfe de 18 buracos. O homem é mais forte que o Pão de Açúcar, propriamente dito...
E-mail: xapuriarmandonogueira.com.br

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