NA GRANDE ÁREA - O x do problema
Romário bate um pênalti na trave. Foi no Fla-Flu. Bem chutado ou mal chutado? A meu ver, a resposta é uma só: mal chutado. Othelo Caçador tinha um bordão inquestionável: Pênalti não é coisa que se perca. O goleiro está ali, absolutamente, vendido. Ele tem que se virar num espaço de sete metros e 32 centímetros de trave a trave, por 2 metros e 44 de altura. É uma vastidão. A distância entre a marca do pênalti e a linha de meta são 11 metros. Quer dizer: é um chute cara-a-cara. Tanto assim que o goleiro que defende um pênalti é sempre exaltado como grande herói.
Não sei quem foi que inventou que pênalti é loteria. Vá perguntar ao Oscar se tiro-livre é sorte. Vá perguntar ao Guga se um ace é loteria. Vá perguntar ao Giba se um ace é bamburra? Gente, jogador de futebol não treina cobrança de pênalti. Quando muito, depois do treino, um ou outro bate meia-dúzia de pênaltis e, assim mesmo, sem muita seriedade, sem aplicação. É meio na farra, apostando com o goleiro.
Há dias, perguntei ao Zé Roberto Guimarães quantos saques dá, por treino, um jogador de vôlei. No barato, são 30 a 40. E só não é muito mais porque o desgaste físico é brutal. Sacrifica demais a musculatura, força o ombro, provoca micro-traumatismos nas articulações, notadamente, nos joelho e nos tornozelos. Chutar pênalti é refresco comparado com um saque de vôlei ou de tênis.
Tenista é outro que rala horas seguidas, repetindo, à exaustão, serviço e golpes de fundo de quadra: cruzadas, paralelas. Certa vez, vi Martina Navratilova, nº 1 do mundo, treinando saques, num torneio em Hilton Head. Foram mais de 50 repetições. Um jogador de basquete passa horas e horas, cobrando tiro-livre. Magic Paula me dizia que, em cada sessão de treinamento, ela fazia cerca de 200 arremessos ela e as outras colegas de equipe.
Depois que se oficializou a chamada pena máxima como instância decisiva de uma partida de futebol, os técnicos deviam ter redobrado o treinamento de pênalti. Pois está provado que qualquer gesto, se repetido exaustivamente acaba automatizado. O atleta dominar tecnicamente o fundamento, está feito porque a autoconfiança aumenta e, com ela, cresce, sensivelmente, a chance de acertar.
Pênalti não é loteria, coisa nenhuma. Pênalti, tal como uma boa cortada no vôlei ou uma cesta de três pontos, é treinamento. Muita repetição.
Vocês se lembram de um diálogo, aqui publicado recentemente: um espectador cumprimenta o golfista Chi Chi Rodriguez, que acabara de vencer um torneio: Que legal diz o cidadão hoje, deu tudo certo; você estava com muita sorte. Ao que Rodriguez respondeu, com fina ironia: Amigo, eu já notei uma coisa: quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho...
Bom mesmo é o Atlético-PR
O Flamengo sapecou 5 a 2 no Fluminense. A meu ver, mero acidente de percurso. Nem o time atual do Flamengo tem cacife pra dar de cinco no Fluminense, nem vice-versa, ao contrário, como costuma dizer meu amigo Ascácio, que é o rei da redundância.
Quem tem bala de sobra pra enfiar cinco em qualquer um dos dois é o Atlético Paranaense que só não fez seis gols no Botafogo porque as traves salvaram o goleiro Carlos Germano, o qual, por sua vez, fez três defesas que considerei verdadeiros prodígios. Já dá pra dizer que o time paranaense vem honrando plenamente o título de campeão brasileiro. É a coisa mais bonita, até agora, vista no Campeonato Brasileiro. Faz a bola correr, com lucidez e harmonia. Joga com um desassombro que nada tem a ver com o pecado da soberba. Vê-lo jogar é um grande prazer. Tomara que não desande.





