NA GRANDE ÁREA - O teipe que condena
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Armando Nogueira 
Romário raramente perde a linha em campo. Ele não é de esquentar a cabeça. Leva uma cacetada, cai no chão, levanta e não chia. Quando muito, ele escarnece do desafeto com um olhar, mistura de orgulho e desdém. Pois domingo, meus amigos, domingo, em pleno Morumbi, no jogo do Flu com o São Paulo, o homem saiu do sério, perdeu completamente a esportiva. Bateu boca com o colega de time, o zagueiro Andrei, e, de repente, num surto de fúria deu, não foi bem um soco, nem um tapa; deu um safanão, tipo chega-pra-lá, com as duas mãos, pegando em cheio o rosto do companheiro de equipe. Uma cena de prepotência e intolerância.
O árbitro Wilson de Souza Mendonça certamente não citou na súmula a triste agressão. Por incrível que pareça, diz ele que não viu nada. Olha, posso até estar cometendo uma leviandade, mas esse árbitro tirou o corpo fora. Não é possível que ele não tenha visto. A agressão foi escancarada. O flagrante se deu num descampado do gramado.
Muito bem, para a arbitragem, não aconteceu nada. Os bandeirinhas também não viram coisa nenhuma. No exato momento do cachação, os três deviam estar de cabeça baixa, amarrando as chuteiras. Três patetas.
Se a Comissão de Arbitragem da CBF fosse uma coisa séria, Romário seria punido, com base no flagrante feito pela televisão. É sabido que a Fifa recomenda: em questão disciplinar, a televisão deve ser acatada como prova da infração. Foi o que aconteceu na cotovelada do italiano Tassotti no espanhol Luis Henrique, no Mundial de 94. E também na cusparada de Chilavert em Roberto Carlos, nas eliminatórias da Copa 2002.
Guga resplandece
Meu personagem da semana não poderia ser outro. É ele, mesmo: Guga, o grande herói solitário do esporte brasileiro. Eu digo solitário, meus amigos, porque se existe, no mundo, criatura mais sozinha, é um tenista numa quadra de tênis. Solidão maior, que eu saiba, só a do nadador, bracejando entre duas raias, como ele, silenciosas. Há mais de um ano, o nosso Guga não sabia o que era vencer um torneio da ATP. Perdia tudo, de todos. Em 13 meses, não conquistou unzinho dos tantos que disputou. Ele sofreu uma lesão de quadril, operou-se, voltou ao circuito, mas, desde então, vinha sendo uma derrota atrás da outra. Chega o Aberto do Brasil e eis que Guga renasce. Sua raquete resplandece. Agora, com o triunfo, vem a auto-confiança e com ela, naturalmente, virão as vitórias, os títulos e, de novo, a glória, sua predestinação.
Guga derrotou o tenista Guillermo Cória, que é um garoto-prodígio do tênis argentino. Pelo fim das vacas magras, faço de Guga o meu personagem da semana. Go Guga!
O melhor do brasileiro
O Paraná mantém a ponta, na corrida dos estados. É o mais eficiente dos nove que participam do Campeonato Brasileiro. Tem 55,6% de aproveitamento, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 54,8%. São Paulo trocou de lugar com Minas: agora, está em terceiro, com 53,1% e Minas é quarto, com 51,7% de rendimento.
Pra não perder o costume, o Rio de Janeiro firma-se na sexta colocação, com 37,8%, atrás da Bahia, que soma 44,4%. A fila continua assim: 7º lugar, Distrito Federal, com 33,3%, Santa Catarina, em 8º, com 29,6%, Pará, em 9º, com 25% e, na lanterna, com 20%, o Estado de Goiás.
O estudo feito pelo matemático Lauro Araújo não considera jogos entre equipes do mesmo Estado. Trata-se de um confronto estadual.


