O noticiário econômico não para de falar em risco-Brasil. Joelmir Betting, meu guru, assegura que há muito jogo sujo pelas bolsas da vida... Jogatina. Cínica especulação do despudorado mercado internacional. Não dou a mínima. O que querem mesmo, é depenar o já depenado povo brasileiro. É um escárnio. O que me preocupa, no momento, é o risco-Kaká. Se não houver um clamor público, vão acabar com ele, a pontapés. Da arbitragem, ninguém espere nada. Domingo passado, o árbitro Leonardo Gaciba deixou o pau cantar nos tornozelos do craque. E quando a vítima reclamava das agressões, tomava advertência de cartão. Tomou dois, já tinha um, está suspenso. Castigo pra aprender a apanhar sorrindo, como mandam os textos bíblicos.
Não é de hoje que craque sofre nos pés de medíocre. A inspiração é vária: tanto pode ser má índole como obra encomendada. Não descarto também o pecado da inveja. A inveja, todos sabemos, tem horror ao talento. É um sentimento repulsivo, espécie de caruncho do mérito.
Kaká pertence ao império dos grandes talentos do futebol. Seu estilo é soberano e bonito. Como o de seus ilustres ancestrais da bola. Logo depois do mundial de 58, Pelé apanhava como boi ladrão. Levava pauladas, a torto e a direito, no campeonato paulista. Até que um dia, Vicente Feola deu-lhe um conselho: como a arbitragem (sempre pusilânime) se omitia, Pelé devia, ele mesmo, começar a revidar. Olho por olho, canela por canela. Se levasse a primeira pregada, a segunda seria o troco, que ele dava, por sinal, sempre bem dado. Zizinho foi outro que deixou as 'impressões digitais' de suas chuteiras em algumas canelas malignas. Didi também andou quebrando tíbias temerárias. Gerson jamais deixou que passasse em branco uma entrada malévola. Acabariam, por isso mesmo, respeitados; temidos, até.
Garrincha era o único que não sabia revidar na mesma moeda. Apanhava muito, mas, sempre, de graça. Dizer que ele tinha alma de passarinho não era uma simples figura de linguagem. Era pura verdade. Tanto que preferia se vingar dos perversos, enfiando-lhes entre as pernas uma bola de desdém. É uma. Vai ver, moralmente, uma boa ''caneta'' talvez doa muito mais do que um bico no tornozelo...
Ninguém duvide: a qualquer momento, o risco-Kaká pode nos privar de um jogador excepcional. Uma preciosidade.
A embriaguez do triunfo
Não fala bobagem quem diz que a vitória embriaga. O triunfo como que purifica. Este fim-de-semana, houve duas competições importantes: a final da Liga Mundial de Vôlei e a Fórmula 1. O Brasil saiu com a medalha de prata do vôlei, num confronto de gigantes que teve com a portentosa seleção da Rússia. O vice, a meu ver, altamente expressivo, foi tratado como um grande fracasso. Os jornais brasileiros só faltaram sair com tarjas de luto na primeira página. Enfim, uma desolação nacional. Na mesma manhã, Barrichello ganhava o circuito da Hungria. Todo mundo viu Michael Schumacher abrir as asas pra não deixar que ninguém chegasse perto de Rubinho. Foi ou não foi um deslavado chaveco? A imprensa alemã, unânime, qualifica a prova como uma farsa. A Ferrari manipulou a disputa, o circuito inteiro, escalando Schumacher como ''fiel escudeiro'' de Rubinho, pra ficar com a feliz expressão de Celso Itiberê, que é autoridade em automobilismo. Pois a mídia cantou a corrida de Rubinho como deslumbrante, digna de manchetes regadas a champanhe.
Vitória, teu nome às vezes, é alienação.
Rápidas e rasteiras
É cada vez mais constrangedor o papel dos cartolas do Corinthians, indo oferecer aos ingleses, como salvado de incêndio, um jogador da dimensão de Ricardinho. Ricardinho é uma jóia do jogo. É bom em tudo. Tamanha maluquice só pra não vê-lo no São Paulo. A conduta não pode ser mais paroquiana. / / / / / Volto à novela Ricardinho: o jogador não quer mais ficar no Corinthians; o Corinthians não quer mais ficar com o jogador. Por que, então, Ricardinho não paga a multa de rescisão e vai jogar onde bem entender? E a multa, pelo que sei, é de R$ 2 milhões, uma bagatela, considerando o excelente futebol de Ricardinho. Qualquer clube de peso banca essa parada, brincando. Pra mim, tem boi nessa linha.

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