Fosse noturno o jogo da seleção e, entre nós, brasileiros, não sobraria um só acordado. Ninguém suportaria, na mesma noite, tanta chatice. Nem mesmo o Galvão Bueno, que estava trabalhando e que me dizia, logo depois da xaropada, que a cozinha da Globo penou muito pra arrancar da partida os chamados melhores momentos.
  Pergunta-se, então: a seleção desaprendeu? A China endureceu? Nem uma coisa, nem outra, meus amigos. Simplesmente, a equipe não estava a fim. Jogador de futebol, sobretudo, quando é estrela, não é nada bobo. Ali, é tudo cobra criada. Alguém vai me dizer que o Ronaldinho não sabia que estava encarando, não um jogo, mas uma boa jogada da CBF?
  O mínimo que rola, no saguão do hotel, antes do jogo, é um papo mais ou menos assim: tiram a gente do nosso clube, a gente se manda pra esse fim de mundo, não pode dizer não, sabe como é, vai pegar mal no Brasil, e quem fatura alto, mesmo, é a CBF. Eu é que não vou arriscar minhas pernas, a troco de nada.
  Se a partida durasse três dias, seriam 72 horas de mesmice: bolinha pra lá, bolinha pra cá: lá vem ‘‘seu’’ china na ponta do pé/ lig, lig, lig, lig, lig, lig, lig, lé......
  Engraçado é que, no dia seguinte, chegam os críticos e escrevem, cheios de convicção, que o 4-4-2 do Parreira não deu certo e que seleção devia ter ficado mesmo era no 3-5-2 do Felipão.
  Bobagem, gente. A seleção jogou montadinha no $$$$-$$$$-$$ da CBF. O resto é troco.
Rápidas e rasteiras
  Um dos filhos do leitor Geraldo Henrique Lima, de Caldas Novas, Goiás, se chama Rudd Gullit Rijkaard Van Basten Sousa Henrique. Geraldo me pede que faça chegar ao Milan o fax da carteira de identidade de seu rebento, prova provada do quanto ele, pai, venera o clube italiano. Esclarecimento: Gullit, Rijkaard e Van Basten são os três holandeses do grande time do Milan, na década de 90. / / / / / Sou fã da mesa-redonda da ESPN, segunda-feira de noite. Lá, eu ouvi o austero Cláudio Carsughi dizer que, na história do futebol, só reconhece como craques três jogadores: Pelé, Di Stéfano e Maradona. Disse-o e não foi contestado, embora na mesa houvesse gente como o Trajano, o Paulo César Vasconcellos e o Milton Leite que manjam do assunto, não é de hoje. Aliás, devo dizer que aprecio o trabalho do Carsughi, com seu ar de procônsul romano. Mas, dessa vez, ele pisou na bola. Ou, então, não viu jogar muita gente boa de tantas gerações. // / / / Queixas mil de leitores que gostariam de ler minhas opiniões sobre outros campeonatos estaduais, além do carioca e do paulista. Como já expliquei tantas vezes, a tevê não mostra outros jogos além do eixo Rio-São Paulo. Só nos resta aguardar o Brasileirão que contempla todos os grandes times do País. / / / / / O jogador Donato, hoje, um cidadão hispano brasileiro, bate recorde de longevidade no futebol espanhol: continua titular do Deportivo La Coruña, com 40 anos e um mês de idade. Antes de Donato, só um único jogador chegou perto dele: Alfredo Di Stéfano, que jogou o Campeonato Espanhol até os 39 anos e alguns meses. O caso mais impressionante do futebol de súmula é o do ponta-direita inglês Stanley Matthews, que aos 50 anos, ainda dava seus dribles no Campeonato Inglês. / / / / / Um leitor me pergunta quantos hinos compôs Lamartine Babo pros clubes do Rio. Que eu saiba, Lamartine fez marchas pra todos: Vasco, Flamengo, Botafogo, Fluminense (pra mim, o mais bonito), Madureira, Olaria, Bonsucesso, Canto do Rio e Bangu. Não incluo o do América (paixão dele, de Giulite, de Max Nunes e de José Trajano) porque esse, justamente, o do América, por sinal, lindo, ele chupou, integralmente, com a maior cara-de-pau, de um musical americano de 1916...
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