Esta semana, recebi duas perguntas sobre expressões consagradas do futebol: uma, querendo saber a origem do drible da vaca. Me pegou pelo pé. Não tenho a menor idéia. Nem me ocorreria associar as artimanhas do futebol a um animal tão pacato, eu diria, mesmo, a um bicho tão contemplativo. Enfim, prometo que vou investigar.
A segunda pergunta é sobre o olé. Como foi que a célebre interjeição da dança andaluza e da tourada acabou virando um dos mais bem-humorados cânticos da galera do futebol?
Versões haverá muitas. O futebol não convive bem com a realidade pura e simples. Prefere o delírio, a fantasia, a mentira vestida de verdade. Por exemplo: eu costumo dizer que o gol de placa, aquele de Pelé, driblando meio time do Fluminense, ilustra, à perfeição, a capacidade que tem o torcedor de recriar os fatos. Quanto mais o tempo passa, mais espetacular vem ficando aquele gol. Agora, Pelé, depois de driblar o goleiro Castilho, entrou no gol com bola e tudo.
O que sei sobre o olé me foi contado por gente do Botafogo. Teria acontecido numa excursão daquela indizível orquestra que tinha Didi, Garrincha, Manga, Nilton Santos, Quarentinha. Um time que era luxo só. Pois me contaram que essas feras jogavam um amistoso na Cidade do México. O adversário era o América, da terra. Pelas tantas, os mexicanos teriam começado a apelar, dando umas entradas mais duras, principalmente e pra variar, em Garrincha. Foi, então, que Didi, o maestro, teria proposto ao resto da turma: ''Vamos botar esses cabeçudos na roda!''
Dali em diante, a bola começou a rolar, de pé em pé. Os mexicanos, supreendidos, corriam de um lado pro outro, chegando sempre atrasados em cada disputa de bola. De repente, baixa no estádio o santo das arenas. A multidão põe-se a pontuar cada lance com o coro das touradas: Um passe pra cá: Olé! Outro passe pra lá: Olé! Olé! Olé!
Se verdade não for, bem bolado é. Olé!
Na garupa das motos
Fui meter minha colher em sopa alheia a meu paladar, resultado: fiz bobagem. Me refiro à nota sobre as motos de Valentino Rossi e de Alexandre Barros. O leitor Rubens Tripoli, que é do ramo, me escreve, corrigindo a minha dica de que as tais motos custam, a de Rossi, US$ 1,5 milhão, e a de Alexandre Barros, US$ 400 mil. O e-mail do simpático leitor é tão rico de informações que vale a pena transcrevê-lo, na íntegra:
''A moto do surpreendente Valentino Rossi, uma Honda RC211V, na verdade, não tem valor de mercado, por ser um protótipo praticamente artesanal. Quando nos referimos ao valor das melhores motos do Mundial de Moto GP, estamos falando do valor cobrado, por temporada, a cada equipe pelo fabricante Honda, no caso pela cessão da motocicleta, acessórios e kit de peças de competição. Ao final do ano, a moto é devolvida ao fabricante. No caso do Valentino, o valor cobrado é de US$ 2,5 milhões e não US$ 1,5, como saiu na sua coluna. A Honda do Alexandre Barros custa, por temporada, US$ 1,4 milhão e não US$ 400 mil.''
Tripoli me dá, ainda, a seguinte informação que exalta o talento do nosso Alexandre: ''A moto do italiano Rossi desenvolve 340 km/h, enquanto a do brasileiro chega, no máximo, a 320 km/h.''
Rápidas e rasteiras
Estou lendo ''Corinthians é preto no branco'', o livro sobre a vida do Timão. Estou achando um barato. A começar pelo título, inspirado, ao mesmo tempo, nas cores do clube e na forma de contar a história do Timão: os delírios, em letras brancas, fundo preto; as verdades, letras pretas, em fundo branco. Os autores são dois torcedores ilustres, duas cabeças privilegiadas: o publicitário Washington Olivetto e o jornalista e escritor Nirlando Beirão. Bato um ótimo papo com os dois no meu programa, no Sportv que vai ao ar amanhã. - A próxima leitura será o livro ''A alma do penta'', escrito pelo jornalista Ruy Carlos Osterman sobre a saga da seleção brasileira no Mundial 2002, na visão pessoal do técnico Luiz Felipe Scolari.

mockup