Volta e meia, pinta entre jornalistas um debate sem fim: qual a importância do técnico na vida de um time de futebol? Há até quem tente quantificar a participação do treinador. Vinte por cento? Cinquenta por cento? Oitenta por cento? A bancada da ESPN, no programa ‘Linha de Passe’, calcula em 30%. É pouco, é bastante ou seria muito?
  São tantas variáveis que dá até pra gente admitir que o papel do técnico, no destino de uma equipe, pode oscilar de 0 a 100. Uma coisa me parece indiscutível: o personagem é inevitável. Seria o caso de dizer: ruim com ele, pior sem ele. Ou, então, começar a discussão, saudável, por sinal, pela máxima de Romário, segundo a qual ‘‘técnico bom é aquele que não atrapalha.’’
  Dirigir uma equipe é, primordialmente, uma questão de liderança. Mas, nem sempre, um bom comandante dá certo. De que adianta ser capaz de motivar um time, se ao técnico faltar o respaldo da direção do clube? Por melhor que seja a retórica do treinador, não há quem consiga empolgar um jogador que não viu a cor do dinheiro no fim do mês. Uma situação como essa, que ocorre na maioria dos clubes, mina, profundamente, qualquer liderança.
  Não há dúvida de que o técnico de futebol, mais que outro qualquer, ganhou uma importância desmedida. Principalmente, no Brasil. A imprensa, o rádio e a tevê enchem demais a bola da figura. O cartola, que não é bobo, tal como diz o samba de Billy Blanco, não refresca: põe o cara no alto e, na hora do aperto, retira a escada. O tombo do técnico livra, bonitinho, a barra do dirigente.
  A vida de um técnico é um pêndulo que balança entre a vitória e a derrota. Se o time vence, o treinador é maravilha. Se o time perde, é cão danado. Ou oito ou 80. Ou o homem deu ou levou um nó tático...
  Numa atividade movida à paixão, o técnico não devia se expor tanto à notoriedade. Por vaidade, eles dão, facilmente, a cara à tapa. Um exemplo de comedimento é Carlos Alberto Parreira. Ele exerce seu trabalho com discrição. É modesto sem perder a altivez. Há outros que também tocam o seu barco, sobriamente. É claro que, nem assim, escapam do cutelo intempestivo e perverso do cartola. De cara, poderia citar o espirituoso Geninho, o promissor Tite, o discreto Jair Picerni. A linhagem é bem maior do que se pensa.
  Se alguém estiver interessado em saber porque será que a classe dos treinadores tem sido tão estigmatizada, não estará longe da verdade quem der ao fenômeno um nome próprio personativo: Wanderley Luxemburgo, de paletó e gravata. Acho-o um bom técnico, mas é prosa demais. Pavão é pinto...
Rápidas e rasteiras
  Luiz Felipe Scolari candidata-se, publicamente, à direção técnica da seleção italiana. Se os jornais não exageram, Felipão chega até a criticar o colega Trapattoni, que estaria por um fio. Diz o homem que tem um projeto pra salvar a Azzurra. Uma perguntinha só: daria pa levar Rivaldo e os dois Ronaldos? / / / / / Quando todo mundo pensa que a fonte secou, Romário sai do sereno e marca dois belos gols contra o Goiás. Vendo-o, em dois momentos esplêndidos, me ocorre dizer que, um dia, a saudade dirá que Romário levava nos pés, sempre à mão, a bola de um gol para sempre. / / / / / Recebo a camisa da campanha de Bebeto de Freitas à presidência do Botafogo. Sócio do clube e, naturalmente, eleitor alvinegro, visto a camisa, com entusiasmo e esperança. / / / / / ‘Veja’ vai publicar uma reportagem sobre o jogador Diego, do Santos. A repórter da revista pede minha opinião sobre o garoto. É pra já: Diego tem virtudes que podem levá-lo à consagração, em pouco tempo. É ágil, tanto no corpo como no pensamento; dribla bem, com moderação; passa, com precisão, e no tempo certo. Quando ganhar massa corporal, sai da frente. / / / / / O jogador símbolo da criatividade do treinador Geninho, no time do Atlético Mineiro, é Mancine. De previsível lateral, Mancine se converteu no mais eclético jogador do campeonato, capaz de brincar nas 11, com louvável rendimento.

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