Não há como deixar passar em brancas nuvens essa história de jogador não celebrar gol por ele feito no time do seu coração. Foi o caso, já discutido, do jogador Galeano, volante do Botafogo que, antes de pegar o Palmeiras, soltou esse primor de inconveniência: se, por acaso, fizesse ele um gol contra seu ex-time preferia não comemorar. Só faltou dizer que poria luto fechado.
A confissão tem dado panos pra manga. Uns dizem que compreendem a atitude, outros, se não a condenam, pelo menos, lastimam. Há quem considere a reação de Galeano um sinal de respeito à torcida do ex-clube. Do outro lado, há quem veja a outra face da moeda: não comemorar seria uma forma de desapreço à sua nova torcida.
Vejo uma grande distorção nessa história de gol: sendo o futebol um jogo coletivo, parece indiscutível que o gol será, sempre, obra de todos e não de um só. A bola de um gol, quando chega aos pés do artilheiro vem banhada do suor de mais 10 companheiros. Portanto, não é um caso de autoria e sim de co-autoria. O gol é uma glória compartida. A exaltação do goleador é uma espuma feita em detrimento do resto da equipe. Tanto que jamais fica bem na foto o jogador que sai de campo, culpando A ou B pela derrota. Todos perdem ou todos ganham.
Uma das coisas que mais me desagradam no futebol moderno é a cena do autor de um gol que, em vez de festejar com sua equipe, foge dos colegas como o diabo da cruz e vai cortejar a arquibancada, beijando a camisa que passou a defender um dia antes daquele jogo. É ou não é uma tremenda farsa?
Uma coisa Galeano precisa saber: ele desagradou a gregos e troianos. E mais: o que dói no torcedor não é a celebração de um gol e sim o gol propriamente dito.
O resto é demagogia.
Romário no banco?
Até que enfim, um domingo risonho ao futebol carioca: primeiro, a vitória, sofrida, do Vasco em cima do Palmeiras; depois, a vitória, essa, sim, estupenda, do Fluminense contra o Corinthians. Expressivo triunfo que credencia o tricolor do Rio a batalhar pelo título de campeão de 2002. Além, muito além do escore, me impressionou a autoridade técnica, tática e mental com que o time do Fluminense se impôs aos corinthianos. Confesso que não esperava ver o que vi: ao longo de 90 minutos, o time do Fluminense pôs, realmente, em xeque o time do Corinthians.
A vitória do Fluminense não chega a dar dor de cabeça em Parreira. Seu time assimila, naturalmente, o golpe. Amofina, sem dúvida, mas não causa transtorno maior. O mesmo já não pode dizer do treinador Renato Gaúcho. A vitória há de ter sido bem vinda, mas tem implicações delicadas, tanto no plano tático como no plano da política interna. Pelo seguinte: o time jogou sem Romário, venceu e convenceu, como nunca antes, pelo menos, ultimamente. Era de notar o dinamismo do time, nas ações de ataque, contando com dois jogadores velozes e solidários como Magno Alves e Roni. Numa equipe que jogou muito bem, os dois foram incomparáveis.
A pergunta que se impõe é esta: em lugar de quem entrará Romário, uma vez curado da contratura da coxa? Há dias, Renato Gaúcho resumia, assim, seu relacionamento com Romário: ''De fato, durante a semana, ele me dá dor de cabeça, mas, na hora do jogo, quem padece com ele são os adversários do Fluminense.'' É notório que Romário não trabalha com a hipótese de ser reserva. Sempre foi assim, em clube como na seleção. Ele jamais admitiu esquentar lugar num banco de reservas.
A verdade é que, mesmo com Romário em campo, eu ainda não tinha visto o time do Fluminense jogando de modo tão vistoso, tão empolgante como, domingo, contra o Corinthians.
E, agora, Renato? Na vitória, nem tudo são flores...

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