Enfim, o Campeonato Brasileiro nos oferece um jogo com tintas de amistoso: Flamengo x Guarani, no Maracanã. Os dois não defendem nada, nem pra cima, nem pra baixo. Tanto faz como tanto fez. Em compensação, amigos, os outros 12 jogos, todos eles, têm conseqüências, diretas ou indiretas. Assim sendo, é tudo vida-ou-morte. Os números são eloqüentes. Com a palavra, digo melhor, com a aritmética de meu guru Lauro Araújo, eis o retrato em corpo inteiro do campeonato.
  A vida só é risonha e franca pros seguintes times: São Paulo, que já é o 1º colocado, haja o que houver domingo; o São Caetano e o Corinthians não correm maior risco: disputam ambos o segundo lugar mas, quem ficar em terceiro não tem porque chorar mágoas; o Juventude, por sua vez, já está confortavelmente instalado no 4º lugar. Palmas pra ele, que ninguém esperava performance tão espetacular; Atlético Mineiro, que tanto pode acabar em 3º como em 7º lugar. Daí pra baixo, aparecem o Santos, com 99% de chance, podendo chegar até em terceiro. Depois, Grêmio, com 66,7% e, curiosamente, em função de outros resultados, pode entrar como 5º, 6º, 7º e 8º.
  Na fila, Fluminense, Coritiba, Goiás, Cruzeiro, Vitória e Ponte Preta. Uns, mais perto, outros, mais distantes. Todos dependem de si próprio e de outros jogos. Pelo regulamento, os jogos serão às 4 da tarde. Olhos no placar e ouvidos no alto-falante. Vai ser, no duro, um grande jogo único em 12 estádios do País. Mais emocionante, impossível.
  No sub-solo, a situação não é lá pra que digamos. Me lembra a célebre frase atribuída ao político mineiro Negrão de Lima. Quando a crise política se agravava, ele costumava dizer: ‘‘A situação é tensa e, sem hipérbole, terrível!’’ Principalmente, pros que estrebucham pra não despencar no abismo da Segunda Divisão, e que são: o Botafogo, mais pra lá do que pra cá, com 85% de cair; o Inter, com 69%; o Palmeiras, com 51,9%; a Portuguesa, com 42%, seguida de Bahia, 30,9% e de Paraná, 21%.
  Não falei do Gama porque, esse, não há aritmética que o salve. Amém.
Inquietação de Parreira
  Carlos Alberto Parreira é um treinador sempre preocupado com a evolução do futebol. É assim, desde recém-formado pela Escola de Educação Física. Me lembro de uma carta que ele me escreveu, ainda mocinho, no começo dos anos 60. Uma carta cheia de reflexões interessantes, notadamente, sobre preparação física.
  Pelo visto, o sucesso não aplacou a inquietação de Parreira. Li, outro dia, uma entrevista em que ele diz que, taticamente, o futebol parou no tempo. Imagino que Parreira esteja falando de alterações essenciais, como o WM que revolucionou profundamente o jogo. Não se pode deixar de falar do Mundial de 66, quando a seleção inglesa mexeu com a cabeça dos técnicos, surpreendendo meio mundo, transformando seus laterais em zagueiros-atacantes ostensivos, ainda que á moda britânica: avanços rápidos pelas pontas e tome de bola centrada.
  Sem aprofundar muito a questão, Parreira acha que o jeito mais prático de dar nova dinâmica ao jogo seria limitar o número de faltas.
  Ai está uma regra que eu sonharia ver implantada no futebol: limite de faltas. Pra isso, contudo, seria preciso preparar melhor a arbitragem. A rigor, eu nem sei dizer, se efetivamente, tal medida poderia abrir novos caminhos táticos. Uma coisa é líquida e certa: o limite de faltas por equipe elevaria e muito o padrão ético e técnico do futebol.
  A grata verdade é que o futebol está voltando a ser um jogo bem jogado, coisa que deixou de ser no fim dos anos 80 e por toda a década de 90.
Rápidas e rasteiras
  O jogo Atlético Mineiro x Gama, quarta-feira, foi bem a versão futebolística de um vulcão enfurecido: Etna. Dez gols, alguns empolgantes, não-sei-quantos cartões amarelos, três expulsões, uma prisão, corre-corre de torcedores. Incandescente. Imperdível. / / / / / Bebeto de Freitas, novo presidente do Botafogo. É a vitória do bem sobre o mal. Uma vitória com amor, com esperança. Mais que sempre, é hora de exaltar a Estrela Solitária, estrela da vida inteira.

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