Nos últimos dias, houve duas mancadas que mostram uma realidade de todos sabida: a arbitragem brasileira tem sido uma lástima. Parece que está pagando caro por uma renovação de quadro. Há muita gente nova, inexperiente. Primeiro vacilo foi o cartão amarelo que advertiu o jogador Jabá, do Coritiba, por suposta desfeita a um marcador. A cena todos viram: Jabá estanca diante de um adversário. Entre os dois, paradinha, a bola, aparentemente, de ninguém, embora, na realidade, psicologicamente, estivesse sob o controle dele, Jabá. O rival, estático, não ousava um passo, um gesto sequer. Jabá sassaricava, de um lado pro outro, com a clara intenção de atarantá-lo. A situação lembrava os saudosos floreados de Garrincha. Vem o árbitro Leonardo Gaciba e acaba com a festa: apita ‘atitude inconveniente’ contra o Jabá. Uma decisão de rara estreiteza mental. Atitude inconveniente foi a dele, Leonardo Gaciba.
  A segunda mancada foi o pênalti que o árbitro Valdomiro Matias Filho marcou contra o Botafogo, quarta à noite, em Caio Martins. Reproduzo, fielmente, a situação: a área botafoguense lotada. Num rebote, alguém da Ponte Preta desfere um chute na direção do gol. Uma bomba. O zagueiro Rodrigo Fernandes, pra se proteger do petardo que acertaria em cheio os países baixos, recobre o alvo, com as duas mãos em forma de concha. Um ato do mais puro instinto de conservação. A tevê mostrou a cena, de modo cristalino.
  Resolução da International Board, por sinal, sábia, reconhece como legítimo que o jogador use as mãos, ostensivamente, para proteger partes delicadas do corpo (o rosto e os países baixos), desde que as mãos estejam dispostas em concha, com os respectivos dorsos voltados pra bola. O que absolve o jogador é justamente a disposição das mãos. A resolução é clara: se o jogador fizer a concha com as palmas das mãos pra fora, aí, sim, o árbitro deve marcar a falta.
  Se o árbitro Valdomiro Matias Filho conhecesse essa sutileza da regra, certamente, não teria considerado pênalti o gesto humaníssimo de Rodrigo Fernandes.
Um caso de amor
  Paulo Cleto é um devoto do tênis. Devo a ele preciosas lições que me ensinaram, primeiro, a gostar, depois, a amar, de verdade, esse esporte que alguém, com propriedade, define como o mais antinatural de quantos o homem pratica. Em verdade, o tênis é o único jogo em que você não pode ficar de frente para a bola. Você, ao desferir o golpe, tem que estar de perfil. E mais: nunca, de pé, erecto como no futebol e no basquete, mas rigorosamente de joelhos dobrados.
  E quando eu imaginava que já tinha sugado, a fundo, o amplo saber de Paulo Cleto, eis que ele me aparece com este livro, escrito com as tintas de uma vida inteira às voltas com os encantos do tênis. Ele, que, há tantos anos, freqüenta os mais famosos torneios da ATP, dá uma prova de bom-gosto, escolhendo, como tema central da obra, o charmosíssimo Aberto da França. Dito isto, certamente, estou mexendo com o coração do brasileiro, pois, quem fala do Aberto de França está falando de Roland Garros. E quem fala de Roland Garros, está falando de Gustavo Kuerten. Basta ver o nome do livro: ‘‘Guga e Roland Garros - uma história de amor’’.
  O primeiro parágrafo desta nota abre o prefácio da obra que tive o prazer de escrever, por três motivos: gosto muito do Paulo, gosto de tênis e, sobretudo, do tênis de Guga.
Falar mal do Bush
  Campeonato esquisito esse de 2002. Esquisito. Desconcertante. Mais que desconcertante, caprichoso. Eu diria, até, que poucos tenho visto tão lunático. Um dia, o dono da bola é um dos dois Atléticos, no outro é o São Paulo. Quando a gente começa a gostar do Juventude, aparece o Santos e sua fogosa garotada. E nós, metidos a catedráticos, a quebrar a cara, a cada rodada. Fico pensando seriamente se não seria melhor mudar de ramo. Passar a escrever sobre política internacional. Nesse pedaço, não há como errar. É sair falando mal do Bush e correr para o abraço.

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