NA GRANDE ÁREA - Bom é comprar feito
Se alguém perguntar a um cartola europeu quando é que os clubes de lá vão começar a formar jogador em casa, certamente, ouvirá um enfático: Jamais! Os europeus conhecem o caminho das pedras. Vejam o que acaba de acontecer com o francês PSG: vendeu ao Barcelona, por cerca de 30 milhões de dólares, um jogador que tinha comprado do Grêmio por cinco milhões. Desfrutou de Ronaldinho Gaúcho, duas temporadas.
O Barcelona, por sua vez, sabe que tem nas mãos uma jóia preciosa. Pelo craque excepcional que é, pela idade, pelo carisma, Ronaldinho lotará estádios onde quer que apareça o time catalão. E se, por qualquer motivo, o craque não der certo, é só estalar os dedos que pretendente não faltará.
Não existe nada mais seguro e mais conveniente no mercado do futebol do que comprar feito. Os italianos já estão nessa, há séculos e séculos. Os espanhóis vieram logo depois. Mais adiante, começou a cair a ficha na cabeça dos alemães. Agora, chegou a vez dos ingleses. A fonte é inesgotável, principalmente, com o súbito amadurecimento do futebol africano.
Antigamente, o futebol europeu vivia caindo no golpe do Fantástico, que, domingo de noite, mostrava todos os gols da rodada. O empresário maroto gravava o programa, metia o teipe em baixo do braço e se mandava pra Europa. Na época, os clubes europeus compraram muito gato por lebre...
Hoje, todo mundo vê, com regularidade e, na íntegra, o filé mignon dos campeonatos brasileiro e argentino, que são os dois melhores filões do futebol sul-americano. Os clubes europeus têm pleno conhecimento da oferta.
Mesmo quando levam alguém tipo parece-mas-não-é, ainda assim, estarão fazendo um bom negócio porque passam o bonde adiante, sobretudo, agora, que o futebol caiu no gôto dos xeiques da vida. Tem um lá que está pagando quatro milhões de dólares por duas temporadas do velho e cansado Batistuta, pra quem a fonte européia já secou há três anos.
Por falar no assunto, quando é que os europeus vão levar o Kaká por alguns trocadinhos de euro?
Libreto de opereta
E a cirandinha dos técnicos no Campeonato Brasileiro? Todos dançam, mas ninguém perde o passo. Sai daqui, entra acolá. Ninguém é de ninguém e todos são de todo mundo. Nelsinho, que era do Goiás, enjoa do Flamengo e sucede Mário Sergio que enjoou do São Caetano. O Fluminense não tolera mais o Renato Gaúcho e traz de volta o Joel que de lá saira mais rejeitado que gripe asiática.
Em 20 rodadas, 21 técnicos rodaram. Mas, ninguém está no desvio. Quem estiver, será por vontade própria. Tite, por exemplo, tirou férias. Qualquer dia, entra no rodízio. Libreto de opereta é pinto.
O futebol brasileiro vive, com a figura do treinador um colossal paradoxo. Herói na vitória, vilão na derrota. Um dia, é ouro; no outro, desdouro.
Bem fazem os clubes europeus que estão tirando o tapete vermelho dos pés dos técnicos. O ''mister'' onipotente, onisciente, está perdendo vez e voz. Seu poder de fogo está passando pra outras mãos acima dele. O dono da bola, agora, é o diretor-técnico. Treinador não dá um pio, nem pra contratar, nem pra dispensar. A Espanha está dando o exemplo que vai contagiar o resto do continente.
Estão pegando na palavra a máxima de Romário: ''Bom técnico é aquele que não atrapalha...''
Um time de respeito
Tenho observado melhor o time do Inter. Sem ser do nível do Cruzeiro, ainda assim, me parece uma equipe de respeito: é bem organizada, tanto pra defender como pra atacar. Tem jogadores de muito bom padrão técnico, tais como os atacantes Daniel Carvalho, Nilmar e Diego, todos com nítida pinta de craque. Diego, então, se não confundir jogar com soltar pipa, vai nos dar muita alegria.
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