NA GRANDE ÁREA - ARMANDO NOGUEIRA
Provocação de torcedor é uma constante na vida de quem, como este pobre marquês de Xapuri, vive de dar opinião sobre futebol. Agora mesmo, tenho sido desafiado por corinthianos que não perdoam a comparação que fiz entre o estilo técnico do São Paulo e o do Real Madrid. Um deles distorce a minha opinião. Não é verdade que eu tenha dito que o tricolor paulista é a versão brasileira do Real. Seria um exagero colocá-los no mesmo nível técnico. O Real é uma seleção de craques e super-craques; o São Paulo é uma equipe, com nítidas desigualdades entre atacantes e defensores.
O que eu disse foi que, em certas manobras ofensivas, as duas equipes se assemelham no toque de bola. Nada além disso. Reconheço que, nas finais, pouco se viu de refinamento nas tramas ofensivas do São Paulo. O time jogou privado de Kaká, justamente, o principal vetor das invenções coletivas do tricolor. Na primeira partida, Kaká entrou no sacrifício; na segunda, nem pôde jogar, o que comprometeu o poder e o brilho ofensivo da equipe.
A diferença que existe entre o analista, que é o meu caso, e o corintiano descontente, é que ele, como bom apaixonado, vai ao estádio pra jogar. Lá em cima, na arquibancada, ele ensopa a camisa, desvela a própria alma pelo sucesso de sua equipe. Já assisti a muitos jogos ao lado de torcedor. Há uma classe de torcedor que passa, que dribla, que chuta, que faz gol. E não erra nunca. Daí, a bronca que ele dá quando alguém de seu time perde um gol. Ele não perderia. Aliás, não perdeu. Ele bateu na bola certinho; quem estragou a jogada foi ''o colega''...
O crítico procura ver o jogo com os olhos da razão. O torcedor, com os olhos da paixão. O resultado é a chuva de mensagens desaforadas ou sarcásticas, tentando fazer com que o cronista se renda à sua vontade. Felizmente, existem aqueles, raros, é verdade, que impressionam pela ponderação, pela elegância. É o caso de um leitor que me pergunta se não acho que o time do Corinthians chegou ao título paulista com todo merecimento. Sem dúvida alguma que o título é mais que merecido.
Reafirmo, porém, que a ausência de Kaká afetou sensivelmente o poderio ofensivo do time do São Paulo. Pesou mais adversamente ainda, porque o tricolor é bom de ataque, mas um tanto vulnerável de defesa. A zaga não tem recursos técnicos pra resolver a contento as urgências da grande área.
A superioridade corinthiana nas duas decisões é tão inquestionável que, instado por amigos a escalar a equipe-síntese dos dois finalistas, selecionei oito jogadores do campeão e apenas três do vice. Vamos lá: Rogério Ceni; Rogério, Fábio Luciano, Anderson e Kléber; Ricardinho, Vampeta e Fabinho; Luís Fabiano, Liedson e Gil.
Rápidas e rasteiras
Pergunta do jornal francês ''L'Équipe'' a um grupo de 11 tenistas: ''Se você fosse Pete Sampras, encerraria a carreira, agora, ou voltaria a jogar, mesmo depois de ter dado um tempo de mais de dois meses?'' A maioria diz que a decisão é dele, Sampras, e só dele. Sampras tem dado claros sinais de que se despede a qualquer momento. / / / Foram ouvidos Moyá, Federer, Todd Martin, Hewitt e Guga, além de outros jogadores menos votados. Guga responde assim: ''Se eu fosse Pete Sampras, pra começar, eu teria um serviço muito melhor''. À pergunta propriamente dita, Guga confessa que não se vê em atividade depois dos 30 anos. Sampras está com 32... / / / A CBF acordou e arrematou a camisa 20, do centroavante Vavá, do Mundial de 58. / / / No embalo, CBF podia, perfeitamente, descobrir por onde anda a bola do bicampeonato que o dito Vavá surrupiou ao árbitro russo Latichev. O juiz deixava o campo, todo prosa, com a bola embaixo do braço. Vavá veio por trás, deu um totozinho, apanhou a bola na frente e saiu correndo na direção do túnel. / / /João Havelange, presidente de honra da Fifa, disse ao Globo que Garrincha tinha ciúmes de Pelé. Que eu saiba, Garrincha tinha ciúmes, mesmo, era da Elza Soares. Será que era mesmo a Garrincha que a fama de Pelé sempre incomodou tanto? O coração tem razões...
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